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Fraude de grandes proporções preocupa filatelistas portugueses e espanhóis  Enviar por email Imprimir

Ana Sofia Covas

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Duas empresas espanholas, a Afinsa e a Fórum Filatélico, que se dedicam ao investimento em selos, estão a ser investigadas, em Portugal e em Espanha, por suspeitas de burla, fraude fiscal, falsificação e gestão danosa. Estima-se que os crimes possam afectar cerca de 350 mil investidores, só em Espanha.

Segundo uspeitas de autoridades portuguesas e espanholas, os crimes envolvem um esquema “em pirâmide”: o dinheiro dos novos investidores era usado para pagar os juros dos clientes antigos. As autoridades espanholas afirmam que os primeiros indícios de actividades ilícitas apareceram em 2003, por altura de uma inspecção tributária. Já em Portugal, existe um inquérito sobre a Afinsa pendente no DIAP do Porto desde 2004. Por nunca ter sido dado seguimento a este processo, as autoridades portuguesas acabaram por ser apanhadas de surpresa pela operação desencadeada em Espanha. No entanto, sabe-se que, no final do ano passado, e a propósito deste assunto, foram feitos pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Imobiliários) alguns contactos informais com as autoridades espanholas. Após esses contactos, a CMVM reuniu com responsáveis do Banco de Portugal, e nessa altura decidiu-se pela emissão de um comunicado conjunto, alertando para os riscos inerentes ao tipo de investimento em causa.

No seguimento das investigações em Espanha, foram presas vária pessoas, entre elas o administrador português Albertino Figueiredo (tido em Portugal como um devoto filantropo e mecenas) e o seu filho, Carlos de Figueiredo Arriba.

Como consequência da situação que se instalou, o escritório da Afinsa em Madrid foi invadido por grupos de clientes preocupados em saber qual o futuro dos seus investimentos. No entanto, em Portugal, a situação não se repetiu: junto dos escritórios da Afinsa não se detectou qualquer movimento fora do normal, tirando a presença de alguns jornalistas juntos das instalações da empresa espanhola. Dias mais tarde, ao ser contactada por jornalistas, a Afinsa Investimentos, na pessoa de Maria do Carmo Lencastre, directora da Afinsa em Portugal, afirmou que a dependência portuguesa é totalmente dependente da casa-mãe espanhola, sendo que qualquer contrato que seja feito é assinado com a Afinsa espanhola e não com a sucursal portuguesa.

Em Espanha, as autoridades decidiram congelar as contas da Afinsa e da Fórum Filatélico. Devido à ligação das contas portuguesas com as espanholas, os movimentos em território nacional acabaram por ser suspensos, situação que se mantém até à data.

As consequências financeiras das investigações não demoraram a fazer-se sentir pela parte da Afinsa: a empresa, que chegou a atingir, em 2004, 51 milhões de euros de lucros, viu o seu valor ser cortado pela raiz após as notícias de fraude terem vindo a público.

No meio de todo este processo, a Fórum Filatélico espanhola tem-se escusado a fazer comentários. Não se conhecem, até agora, o estado das contas, os prejuízos causados, nem sequer foram apresentadas estimativas do número de clientes. Também a sucursal portuguesa não fez, até ao momento, comentários de maior. A única informação dada até agora por esta empresa foi a de que esta se encontra num estado de «insolvência iminente», devido às acções judiciais e à cobertura mediática.

Esta situação preocupa muito os investidores portugueses, visto que estas são as duas únicas sociedades que se dedicam a este tipo de investimentos em território nacional. As duas instituições possuem, em conjunto, cerca de 400 mil clientes, e os seus lucros ultrapassam os 1340 milhões de euros.

Fontes: Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Público


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