Nuno Markl em entrevista: «A minha carreira é feita de flops.»
Eliana Silva

Nuno Frederico, conheces? Não, mas ris-te de certeza se leres Nuno Markl. De lupa em riste, escreve às gargalhadas as miudezas corriqueiras do mundo à sua volta. É humorista, escritor, locutor de rádio, argumentista e rabiscador. Homem de sete ofícios, o Nuno disfarça a timidez com muita simpatia. Apetece dizer: «Olá, jeitoso!»
Começou na rádio. Onde nasceu o «bicho»?
Nasceu quando eu era pequeno. Dava-me gozo fazer rádio elementar: estar com um gravador a dizer uns disparates.
Tive a sorte de crescer nos anos 80, num ambiente de explosão das rádios pirata, espalhadas por tudo quanto era sítio: em galinheiros na Amadora, em tudo o que era apartamento.
Nas traseiras da casa da minha avó, a funcionar com um emissor comprado na feira da Ladra, que tinha uma frequência que não ia muito além do bairro, havia a “Rádio Voz de Benfica”. Um barracão onde tive a proposta de trabalho mais rápida da minha vida: cheguei lá só para ver como era uma rádio e o Mário disse-me que eu podia fazer um programa, mesmo naquele dia, e eu “Tudo Bem!”.
Comecei a fazer rádio nessa tarde e fiquei doido com aquilo. Decurei os estudos, baixei a média e não consegui entrar em Comunicação Social. Acabei por fazer o curso no Cenjor.
Portanto, a rádio é uma coisa que me está entranhada há anos e anos.
É mais desenhos ou mais letras?
É preciso haver um equilíbrio entre a palavra e os desenhos. Acho que isso é que funciona nos meus cartoons. Às vezes planifico os cartoons antes de os começar a desenhar, mas outras a ideia sai-me assim de uma vez só, e começo a desenhar em tempo real sem escrever antes o texto, ou seja, tenho mais ou menos o texto na cabeça e, por causa da prática, já sei quantos quadradinhos é que vai levar a história.
Que profissão melhor o descreve? (É um homem dos sete ofícios?)
Hoje em dia, acho que é a de humorista, apesar de eu fazer humor numa série de áreas, seja a escrever, a interpretar, em rádio, seja em desenhos, ou a escrever para outras pessoas. Trabalho muito na área do humor, o que não quer dizer que eu não queira fazer outras coisas. Enquanto tiver inspiração para a comédia e não me rebentar um fusível e as pessoas gostarem do que eu faço, continuarei a fazer. Mas tenho uma paixão especial pela rádio e mesmo sem o tal fusível, continuo, nem que seja só a passar música.
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