Rodrigo Guedes de Carvalho - Canário
João Lascas
Rodrigo Guedes de Carvalho
Canário
“(…) de forma geral, os canários são calmos, mas algumas aves podem ser mais agitadas (…)”
Existem grades a separarem-nos do Geraldo. Ele cometeu um crime e está preso por isso. Já vai para três anos. Deixou cá fora a mãe que agora adoeceu gravemente. Ela conhece por coincidência o Padre da prisão, que por outra coincidência até nutre uma certa simpatia pelo Geraldo. O Padre está decidido em endireitar a vida de Geraldo e, assim, consegue abrir um canal de comunicação entre ele e o pai, que nunca conheceu.
Existem palavras, frases que nos aproximam de Alexandre. Ele é um escritor muito famoso, casado com Maria Antónia há muitos anos. A escrita é a sua vida, e a vida dos outros é a sua escrita. Alimenta os seus livros das pequenas coisas que acontecem à sua volta. Maria Antónia vê-se num casamento que já teve momentos mais felizes, principalmente agora, que se descobriu um filho que o marido teve em tempos com outra mulher.
Camila é a filha de Alexandre e de Maria Antónia, também ela está num casamento difícil. Tem um filho que sofre de autismo, coisa que ninguém da família aceitou bem. Todos queriam um rapaz normal, que soubesse dizer “papá”, “mamã” ou que corresse quando o chamassem para brincar. É como se fosse um ser estranho.
Rodrigo Guedes de Carvalho tem uma maneira própria de escrever. Nós conseguimos perceber ao máximo o que as personagens sentem, a forma como ele lida com a descrição de certos pormenores é de tal maneira organizada que nos faz pensar “é mesmo isto que eu sinto, nunca pensei que alguém o fosse capaz de o passar para o papel”.
Apesar de, na minha modesta opinião, Canário não superar a qualidade do seu primeiro romance, Daqui a Nada, Rodrigo
Guedes de Carvalho é um escritor em absoluta ascensão, e felizmente, parece que consegue (justamente) aproximar cada vez mais leitores.
As suas personagens continuam puramente humanas, existencialistas. Problemas normais que afectam pessoas normais.
Dá vontade de continuar a ler, depois de terminar a última página.
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