Ataque rebelde no Darfur abala União Africana
Pedro Peixoto Alvares

Este fim-de-semana ocorreu um dos maiores ataques às forças da União Africana (UA) desde que chegaram ao Darfur, em 2004. As milícias rebeldes, avançando em 30 veículos, pilharam e destruíram uma base da UA em Haskanita, na zona a Sudeste do Darfur. A agência Reuters avança 20 mortos e 9 desaparecidos. Nenhum dos dois grandes grupos de rebeldes a agirem contra o Governo, o Movimento de Libertação do Sudão (SLA) e o Movimento da Justiça e Igualdade (JEM), reivindicou o ataque. Sabe-se que ambos movimentam soldados naquela zona, mas, em declaração à Reuters, Suleiman Jamous, representante da SLA, disse ter pedido à liderança do grupo para retirar quaisquer tropas da zona, alegando desconhecimento do envolvimento da mesma no ataque. “Se a SLA esteve envolvida, foi decisão local e não da liderança”, segundo esta agência de notícias.
A SLA foi o único movimento independentista a assinar o acordo de paz com o governo sudanês em 2004. Segundo o Público, na origem do ataque terá estado uma reivindicação, por parte de um grupo rebelde, de representação nas negociações de paz prestes a ocorrer na Líbia, a 27 de Outubro, entre a UA, as Nações Unidas e os grupos rebeldes.
A situação no Darfur já fez, a despeito de todas as manifestações a favor da intervenção de ajuda humanitária internacional, cerca de 200 mil mortos e 2 milhões de deslocados desde 2003 quando, acusando o governo e os seus aliados árabes – os Janjawid – de negligência aos cuidados da população, milícias rebeldes se revoltaram, lançando as bases para uma guerra civil que já dura há 4 anos.
Senegal ameaça retirar tropas
No rescaldo do ataque rebelde aos pacifistas da UA, o presidente senegalês, Abdoulaye Wade, ameaçou esta 2ª feira retirar as suas tropas que integram o contingente da União. Em causa estarão as débeis condições das mesmas enquanto em missão no Darfur. Segundo o comandante das forças da UA, Martin Luther Agwai, citado pela agência Al Jazeera, os membros da UA no Darfur “foram enviados baseando-nos na premissa de que um acordo de paz estaria em vigor e de que o seu papel seria o de meros observadores. Não havia planos para qualquer necessidade de defesa.” Tendo um dos maiores contingentes no Darfur, de 550 homens, o Senegal ameaça agora retirá-lo devido ao clima de insegurança em que este está envolvido, mesmo depois de já ter anunciado a integração do triplo número de homens na nova força de coligação UA-UN. Em declarações à Reuters, Wade foi peremptório: “Se eles morreram porque não tinham armas para se defenderem, retirarei todos os senegaleses… não enviarei pessoas para um massacre.”. Uma investigação já foi ordenada para esclarecer as condições em que aconteceu o ataque.
O envio da nova força híbrida, constituída por elementos das Nações Unidas e da União Africana, que poderá ascender aos 20 mil militares e 6 mil polícias, está agora a ser debatido, tendo em vista a substituição dos 7000 elementos da UA composta por soldados de 26 países deste continente.
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