DOC Lisboa - O regresso mais politizado de sempre
Joana Azevedo Viana
A 5ª edição do DOC Lisboa começou na passada quinta-feira e entrega já frutos maduros, numa abertura espantosa pela mão de Gibney, com um documentário “pessoal” sobre a tortura a que se chama técnicas de interrogatório e que não está, segundo Bush e Cheeney, incluída nas leis da Convenção de Genebra.
Lisboa vestiu-se de construtora, reuniu-se em três sítios (Cinema Londres, Culturgest e Cinemas São Jorge), pôs o peso aos ombros, transportou-o cheia de graça. E agora, até 28 de Outubro, o documentário faz-se ver (e ouvir) em Lisboa, mais forte do que nunca.
A premissa não é diferente da de sempre: unir a família (em crescimento, segundo Tréfaut) que são os amantes de documentários, em Portugal.
Este ano, contudo, o DOC chega com ligeiras novidades, ou antes, tendências específicas.
A 5ª edição do DOC Lisboa é a mais politizada e política de sempre.
Ela traz Sicko de Michael Moore, crítico mordaz ligeiramente (?) pop, que alimenta o frenesim público norte-americano há anos com os seus documentários (quase) superciais e pós-pubertários sobre questões sociais preocupantes (e que acaba por não tentar resolver ou mudar a realidade - antes rir dela escabrosamente - mas, admitamos, atinge sucessos estrondosos de bilheteiras) e traz Manufacturing Dissent, de aprendizes de documentaristas na sua queda pós-paixoneta por Michael Moore, O Estrondoso, que - descobriram - não será assim tão genial.
Ela traz Rebelion:The Litvinenko Case, com direito a lançamento da viúva, e traz Vladimir Putin, no mesmo dia, ao nosso humilde Portugal, naquela que alguns já apelidam possível (evitável?) tempestade política.
Ela traz Jesus Camp, o “campo de verão” que não dura apenas o Verão e que não se limita a distrair as criancinhas como o resto dos campos norte-americanos, e traz Kamp Katrina. Também traz When the levees broke:a requiem in four acts, documentário Spike Leeano de atribuição de culpas pelos estragos do furacão.
Também traz o Darfur e Zidane e Warhol e Brando, tudo na mesma semana (como se o nosso coração aguentasse!). E os estádios do Euro 2004, Man Ray, Miguel Torga e Godard.
Não deve ser humanamente possível, ou, pelo menos, profissionalmente possível, assitir a todos os filmes do festival; pela primeira vez, é a vontade que o DOC Lisboa cultiva.
Para quem não é super-herói, ficam as propostas aqui.
Pode acompanhar as críticas d’O Amador no dossier DOC Lisboa.
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