Mudam-se os tempos…mas não se mudam as vontades!!!
Diogo Santos
Numa época em que os impérios das editoras reclamam crise, e onde cada vez mais se vê que o há muito anunciado, “futuro da música”, está já ao clicar de uma tecla, quer seja, com o download (legal e ilegal) , ou por lançamentos de trabalhos em formatos que não, o disco (por exemplo,os The White Stripes lançaram Icky Thump em formato pen disk), que passará muito rapidamente a relíquia de colecção ou a simples base para copos com a mesma rapidez com que as velhas K7 de áudio deixaram de nos dar música…e também, já la vai o longínquo ano de 1979, em que os Buggles cantavam “Video killed the radio star”, tema que iniciou as emissões da MTV a 1 de Agosto de 1981, hoje as canções são outras, e vivemos numa época onde já não há televisões a “matar” estrelas de rádio…porque de repente sentiram que não podem viver uma sem a outra.

Contudo, ainda há bandas e artistas que passam um pouco lado deste tipo de polémicas de indústria e quando surgem oportunidades para rechear mais um pouco a conta bancária a troco de alguma diversão….organizam-se tournees mundiais de meninos com juízo suficiente para estar em casa à lareira, mas que no alto de um palco e pela frente uma plateia repleta, se transcendem e provam que a idade(já avançada) é diferente da mentalidade(bem adolescente), demonstrando que a boa música não tem idades, nem gerações.
Os verdadeiros dinossauros são mesmo os Rolling Stones, já com passagens pelo nosso país por várias vezes, e com tournees quase consecutivas….causando espanto apenas, a sua invejável condição física, e já agora, mental!!!

Agora, todos os mitos que estavam há muito adormecidos acordaram para este mundo de Ipods, de música ultra-portátil…exemplo são os Police, banda de Sting(que andou a apresentar-se a solo desde 1985, tendo lançado mais um álbum no ano passado, contudo, ao vivo, contou sempre com a ajuda dos êxitos do trio, no último Rock in Rio Lisboa o alinhamento de Sting passou pela maioria dos temas da ressuscitada banda), Stewart Copeland e Andy Summers, estes três jovens que não se podiam ver, e quando se falavam, o insulto era palavra de ordem…estão de novo juntos, trazem mais um best of e uma digressão milionária e mundial que não começou com críticas muito favoráveis a apontar principalmente ao facto da pouca energia da banda em palco(fruto da idade, e da falta de concertos, no formato Police), porém, ao longo da tournee, o desempenho da banda tem melhorado, e consequentemente as críticas têm sido mais favoráveis, fazendo assim valer os muitos euros que milhares de portugueses desembolsaram no passado dia 25 de Setembro, para aquele que terá sido um dos concertos do ano mais rico em música que há memória, no nosso Portugal.

Este ano, pode já ser apelidado do “ano dos mortos-vivos”…é que são imensas as bandas que já há muito estavam “esquecidas” em prateleiras, e que agora saltam para os palcos.Os senhores de “Stairway to Heaven”-Led Zeppelin, que desde o final da banda(devido à morte do baterista John Bonham em 1980), tiveram apenas duas aparições, visto que as relações dos elementos da banda, nunca foram as melhores, no entanto, Jimmy Page(guitarra), Robert Plant(voz) e John Paul Jones(guitarra baixo), vão voltar aos palcos, pela terceira vez, e contam com Jason Bonham(filho do malogrado baterista) pela segunda vez na bateria, visto já ter participado numa das anteriores aparições, o concerto para já, único, isto é, não há até a data qualquer anuncio para uma tour, traz também, mais um best of.

São inúmeras as bandas que se reuniram, os Verve, os Smashing Pumpkins, os revolucionários Rage Against the Machine, os punk`s Sex Pistols, até as Spice Girls…podemos sempre questionar as razões que levam pessoas a esquecer as desavenças do passado, principalmente num meio que movimenta milhões, no entanto, questões à parte, há regressos que são de saudar, e parafraseando Vítor Espadinha, numa letra de Tozé Brito(que agora lança um )…”recordar é viver”!!!
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