140 países reunidos para preparar futura estratégia climática mundial
Margarida Duarte

Desde dia 12 de Novembro que representantes de 140 países estão reunidos em Valência, Espanha, para preparar a Cimeira de Bali. A Cimeira de Bali, vai ter lugar em Dezembro e virá lançar as bases para a nova estratégia mundial de combate às alterações climáticas, sucessora do Protocolo de Quioto, que termina em 2012.
O encontro, a decorrer em Valência, irá resultar num relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que resume três documentos publicados este ano.
O relatório irá encerrar as linhas orientadoras da futura estratégia de combate ao sobre-aquecimento do planeta.
O esboço deste documento foi elaborado por 40 cientistas, e nesta 27ª sessão do IPCC irá ter algo inédito,a presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que mostra assim o seu apoio ao IPCC, rede criada em 1988 e que hoje já reúne 600 cientistas de todo o mundo.
“Este relatório é o mais convincente do ponto de vista científico relativamente à urgência das alterações climáticas”, considera John Hay, porta-voz da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, citado pela edição online do “International Herald Tribune“.
O presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri, declarou que este é “o documento mais relevante para a tomada de decisões políticas alguma vez produzido pelo IPCC. Será lido por políticos, empresários, chefes de governo e de estado antes de Bali, um encontro de importância crítica”, acrescentou.

Não combater as alterações climáticas é uma “irresponsabilidade criminosa”
Yvo de Boer, Presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, alertou no decorrer da reunião ,em Valência, que o facto de cientistas e governantes não combaterem as alterações climáticas, enquanto ainda é tempo, é uma “irresponsabilidade criminosa”.
O relatório, em análise na 27ª sessão do IPCC, diz que “o sobre-aquecimento do sistema climático é inequívoco, como são evidentes os aumentos das temperaturas médias do ar e oceanos, o degelo generalizado da neve e gelo e aumento global do nível médio do mar”. Posto isto os que mais sofrem são as comunidades mais pobres de África e Ásia, acrescenta o texto.
Porém, nem tudo é negativo, o relatório afiança que há ainda tempo para abrandar o ritmo das alterações climáticas, se a acção for imediata.
Yvo de Boer acredita que o trabalho do IPCC, foi essencial para preparar o Protocolo de Quioto e agora também para elaborar o tratado sucessor.
A IPCC tem apoios políticos muito importantes para levar a teoria à prática, a União Europeia e o G8 pedem, publicamente, progressos e muitos dos países desenvolvidos adoptam já planos nacionais de redução das emissões de gases com efeito de estufa.
Com: Público, Lusa e edição online do International Herald Tribune
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