Mata-Ratos: “Novos Hinos para a Mocidade Portuguesa”
Gonçalo Dias

Corroios foi o local escolhido para a apresentação do mais recente álbum de Mata-Ratos: “Novos Hinos para a Mocidade Portuguesa”, tendo como bandas suporte os The Hellspiders e os Braço de Ferro. Como já é (mau) hábito, a primeira banda da noite entrou em palco mais de uma hora após o previsto. Os Braço de Ferro, banda de Linda-a-Velha formada em 92, regressaram de um interregno de dez anos. Sem material novo, tocaram as malhas antigas que se cruzam num hardcore/thrash à antiga. Perante uma plateia ainda curta, cumpriram mas não entusiasmaram.

Num registo mais rockeiro, os The Hellspiders conseguiram animar um pouco mais as hostes. Incutindo um ambiente mais festivo, revisitaram o seu EP “Motorcycle Girl” de 2005. Com riffs à la Motorhead, «The Hellspiders» e «Alcoholic» foram alguns dos temas tocados que fizeram balançar a cabeça dos presentes e transmitir um espírito rock´n roll à sala. Pecaram talvez pelo repertório curto. Cheirou a Motorhead, só faltou a cover.

A banda mais aguardada, e pela qual a grande maioria do público presente se deslocou a Corroios, pisou o palco já passava da meia-noite. É certo e sabido que cada concerto de Mata-Ratos é uma festa e uma celebração, onde a boa disposição e o humor corrosivo patente nas letras das suas músicas, lançam o mote para uma comunhão especial entre a banda e o público. É assim há quase 25 anos e este concerto não foi excepção.
Perante uma plateia mais bem composta, mas ainda longe de encher o recinto, os Mata-Ratos arrancaram com o primeiro avanço do novo álbum «Quem nós somos», partindo logo de seguida para os clássicos «Musgueira Chainsaw Massacre» e «CCM», arrancando os primeiros refrões cantados em uníssono da noite.

A partir daí deambularam entre músicas do novo álbum e velhos clássicos. As novas músicas não fogem ao que são os Mata-Ratos a nível musical e lírico, nem é isso que eles certamente pretendem. O humor sarcástico e a critica social continuam bem vincados, bem como os refrões orelhudos e de fácil assimilação, no fundo tudo o que se pede num álbum da banda. O som, não estando perfeito, esteve bom atendendo ao facto de que é comum surgirem problemas de som nesta mesma sala.
Nota negativa para alguns incidentes “menos felizes” entre elementos do público e seguranças da organização, que mancharam um pouco uma noite que até ali tinha sido de festa e assim continuou após sanados os episódios. Sublinhe-se ainda que o tamanho da sala foi demasiado grande para o público que lá se encontrava, o que propiciou uma dispersão do mesmo, impedindo assim um ambiente mais intenso e festivo.

Fechando a noite com «Napalm na Rua Sésamo», o quarteto lendário do punk-rock português mostra que a pujança e alegria com a qual pintam a sua actuação está para durar. Nós agradecemos. E cantamos.
Mata-Ratos: Gangue das Batinas
Myspace das bandas:
Artigos relacionados:


