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One Voice Hardcore Fest  Enviar por email Imprimir

Gonçalo Dias

Cartaz One Voice Hardcore Fest

Num fim-de-semana friorento um pouco por todo o país, pode-se dizer que Corroios foi a excepção. O evento de dois dias dedicado única e exclusivamente ao hardcore, trouxe nomes conceituados como Backfire ou Agnostic Front, para regalo de um movimento que prima pelo empenho, dinamismo, e sobretudo, pela união. Por isso mesmo, o festival conseguiu reunir centenas de pessoas em mais uma celebração do hardcore em Portugal. Aqui fica a perspectiva do segundo dia.

A primeira actuação coube aos algarvios Confront Hate. Uma plateia morna e ainda a chegar aos poucos reagiu aos primeiros acordes da noite com alguma indiferença. Banda de 2003 e que lançou um EP este ano, pratica um som musculado mais virado para o metal do que propriamente para o hardcore. Bastante prejudicada pelo som, muito pouco perceptível, e também por alguns problemas com a guitarra, o grupo acabou por não causar o impacto que o próprio certamente desejaria.

Confront Hate

A seguir os Twenty Fighters. Banda espanhola apenas com 5 anos de vida, executa um hardcore dinâmico e mais “moderno”, onde as influências de uns Comeback Kid não deixam de ser visíveis. Trazendo consigo alguns conterrâneos, que por sinal eram os mais entusiasmados com a sua prestação, a banda galega foi-se mostrando mais segura à medida que os temas se sucediam, aquecendo um pouco o ambiente da sala. Ainda assim, estiveram longe de impressionar. Com o único álbum editado este ano, e dada a sua curta existência, o grupo terá certamente tempo e oportunidades para mostrar mais.

Twenty Fighters

Ao contrário do que estava previsto, os Evergreen Terrace foram a terceira banda a subir ao palco do Cine-Teatro. Decisão da organização ou imprevistos de ultima hora, facto é que a ordem final do cartaz acabou por ser a mais acertada. Formado em 1999, o grupo norte-americano goza de uma popularidade assinalável um pouco por todo o mundo. O seu hardcore de contornos mais melódicos, e por vezes a cair para o punk, não era o mais apelativo para a maioria dos presentes, mas não deixa de ser um pouco surpreendente a apatia geral do público, e os escassos fãs da banda que se deslocaram a Corroios. A actuação da banda não foi, porém, aparentemente afectada por isso. Promovendo o novo album «Wolfbiker», um vocalista inquieto e uns músicos que cumpriram a sua parte, ofereceram um concerto, acima de tudo, profissional.

Evergreen Terrace

Num ponto da sua carreira em que a linha que separa o hardcore do metal é cada vez mais ténue, os Sworn Enemy souberam inserir-se no contexto do fest e preencheram o seu desempenho quase exclusivamente com temas de álbuns mais antigos e, por consequência, aqueles em que os laivos de metal não estão tão presentes. A banda nova-iorquina conseguiu finalmente agitar uma noite, até ali pouco inspirada. Talvez empurrados pela boa receptividade do público, os Sworn Enemy arrancaram para uma actuação cheia de força e de garra. Ao segundo tema já Sal (vocalista) gritava pelo circle pit, correspondido por uma plateia que acordou repentinamente com os primeiros acordes da banda. Para álem dos temas antigos, tiveram ainda tempo de tocar dois novos temas do álbum «Maniacal» a sair em Fevereiro do próximo ano. Subiram definitivamente a temperatura da sala e apenas “pecaram” pela curta duração do concerto.

Sworn Enemy

Claramente a banda mais aguardada não só da noite mas dos dois dias de festival, os Agnostic Front deixaram mais uma vez bem claro porque ainda são respeitados e adorados por um público do hardcore que atravessa diversas idades. A empatia banda/público foi imediata mal o quarteto subiu ao palco. Naquilo que foi um desfile de clássicos, o grupo não deixou respirar uma assistência bem composta, mas que ainda assim não chegou para encher o recinto. «Crucified», «Gotta Go», ou «Riot Riot Upstart» foram entoados a uma só voz. Elementos da plateia saltavam para cima do palco e cantavam abraçados aos seus ídolos. Comunhão perfeita. Mosh pit, outrora envergonhado, foi aqui violento e contínuo até ao final do concerto. O álbum «Warriors» lançado recentemente também não foi esquecido, com destaque para o tema «For My Family», cantado na íntegra por muitos dos presentes. No fim, um público completamente rendido à intensidade e energia dos norte-americanos, trocava impressões e sorrisos transpirados de um concerto que irá certamente perpetuar-se na sua memória colectiva.

Agnostic Front

Myspace das bandas:

Agnostic Front
Sworn Enemy
Evergreen Terrace
Twenty Fighters
Confront Hate


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