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Subúrbios franceses são palco de novos motins  Enviar por email Imprimir

Pedro Peixoto Alvares

Motim França

A situação poderia ser retirada de um passado recente. Pela terceira noite consecutiva, a França assiste a actos de vandalismo e violência em alguns dos seus subúrbios, ao jeito daqueles que, em 2005, assolaram um pouco por todo o país.

Tudo começou no Domingo passado, em Villiers-de-Bel, quando, em circunstâncias que ainda estão por apurar, dois jovens, de 15 e 16 anos, morreram num acidente na estrada, ao chocarem, de mota, com um carro da polícia. A faúlha foi suficiente para pegar fogo e, acusando os polícias de negligência, grupos de jovens saíram à rua, nas três noites seguintes, assaltando lojas e incendiando carros durante mais de 6 horas. Perante a reacção da polícia, os cerca de 100 protestantes responderam com violência, munindo-se de pedras e bombas de petróleo, e causando ferimentos a mais de 80 polícias que, recorrendo a balas de borracha e gás lacrimogéneo, procuraram conter a multidão, fazendo 5 presos.
Na passada noite, a violência espalhou-se um pouco por toda a região, atravessando quatro distritos a norte de Paris, e alcançando, inclusive, o ponto onde despoletaram os motins há dois anos, numa zona concentrada de bairros de imigrantes.

Sarkozy, que se encontra na China até 4ª feira, numa visita de estado de negócios, apelou à calma e serenidade e prometeu encontrar-se, aquando o seu regresso, com o primeiro-ministro, François Fillon. Entre manifestações de protesto estudantis e a greve geral nos transportes, ocorridas durante as últimas duas semanas, espera-se do presidente francês uma reacção mais comedida do que a que lhe coube em 2005, alimentando, pelo seu discurso agressivo, o espírito revoltado dos jovens imigrantes nos subúrbios, e desencadeando uma onda de protestos e violência que durou doze dias, deixando centenas de jovens na prisão e milhares de edifícios destruídos.
Motim França II
Há já quem afirme, porém, que os actuais motins se revelam piores do que os de há dois anos. Segundo Patrice Ribeiro, do sindicato da polícia de Synergie, 80 feridos é já um número anormalmente elevado para motins.

“Por aquilo que nos disseram os nossos colegas nas ruas, a situação é bem pior do que a de 2005. O aparecimento de armas de fogo traçou uma nova linha [no conflito] ”, afirmou.

De facto, consta que os protestos estão a ocorrer mediante uma organização ao estilo das guerrilhas urbanas, com a utilização de armas de caça e o envolvimento de jovens de 13 anos. Não só, mas uma escalada da violência e a impossibilidade da sua circunscrição numa área geográfica específica é a grande preocupação.

“São duas as causas de ansiedade: sinais de que a violência se está a espalhar para áreas vizinhas, que já têm alguns dos seus carros incendiados, e o uso sistemático de armas de fogo contra a polícia”, afirmou Douhane Mohamed, também do sindicato policial.

Motim França III
Para o primeiro-ministro francês, François Fillon, toda esta violência é “inaceitável, intolerável e incompreensível”. Esta manhã, depois de uma visita aos locais onde ocorreram os motins, anunciou um aumento do reforço policial, num esforço para conter os ânimos, não dando mostras de brandura. “Aqueles que disparam contra a polícia e violentam um oficial quase até à morte são criminosos e devem ser tratados como tal.”

Fontes: AFP, Reuters, The Guardian, Público


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