Amália Rodrigues: A voz do Fado em edição especial
Filipa Galrão

As editoras Som Livre e Valentim de Carvalho juntaram-se para editar, até ao final da semana, um caixa composta por quatro CD com 56 fados celebrizados por Amália Rodrigues. Uma caixa que não traz só música. É fado cantado e explicado.
A “caixinha de sucessos”, qual peça para coleccionador e amante do fado, é acompanhada de fotografias da fadista bem como as letras dos fados e textos explicativos dos mesmos. Através dos fados é percorrido o seu percurso musical, numa carreira que durou mais de meio século. Carmencita (Frederico de Brito/Pedro Rodrigues) Medo (Reinaldo Ferreira/Alain Oulman) ou Caracóis são alguns dos temas apresentados.
Fados de sucesso como Casa Portuguesa (Reinaldo Ferreira/Gustavo de Matos Sequeira/Artur Fonseca) e Foi Deus (Alberto Janes) são gravações de 1953, das mais antigas contidas nesta compilação. A gravação mais recente data de 1985, Há festa na Mouraria (Gabriel de Oliveira/Alfredo Marceneiro).
Todos os 56 fados são anotados por Jorge Mourinha que os contextualiza na época e no percurso artístico de Amália Rodrigues, além de serem referenciadas as datas de gravação, os acompanhantes e técnicos de som, sempre que possível.
A caixa inclui, ainda, gravações de Amália nas suas tournées internacionais, ou em estúdios mundiais de renome: Abbey Road (Malmequer pequenino (Ricardo Borges de Sousa) ou no da Costa do Castelo (Povo que lavas no rio (Pedro Homem de Mello/Joaquim Campos) e, ainda, actuações ao vivo no Olympia e no Bobbino em Paris (Amália (José Galhardo/Frederico Valério).
Os fados percorrem todos os músicos com que Amália cantou desde Raul Nery a Jorge Fernando, passando por Santos Moreira, Domingos Camarinha, Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Castro Moura ou Pedro Leal.
Quanto aos poetas, a caixa inclui fados de Luís de Camões (Dura memória), Alexandre O’Neil (Gaivota) ou David Mourão-Ferreira (Libertação/Fado Penhiche), entre outros, nomeadamente de sua autoria como Estranha forma de vida e Lágrima.
Um álbum com material inédito de Amália Rodrigues estava planeado, também, pela Som Livre. “Há ainda um outro álbum inédito de Amália e muitos temas que não conheceram a luz do dia. Como se sabe, Amália gostava de gravar e gravou muito, por isso ainda há muitas coisas suas desconhecidas e que estão agora a ser encontradas”, disse à Lusa, em Junho, José Serrão, director-geral da Som Livre.
Amália ao vivo em Bucareste, 1969
«Estranha Forma de Vida»
Amália nasceu a 23 de Julho de 1920. Em poucos anos tornou-se símbolo do sucesso de um povo que vivia oprimido pela ditadura de Salazar. O fado de Amália era a fuga da realidade portuguesa, e Amália mostrava essa realidade no seu fado.
Foi, também, a porta-bandeira de um país tacanho, abrindo-o para o mundo e a principal representante do vulgo primeiro elemento da “Trindade” portuguesa: Fado, Futebol e Fátima.
Amália Rodrigues morreu de repente a 6 de Outubro de 1999 com 79 anos, na sua casa em Lisboa. Para trás ficou o espólio que ajudou a internacionalizar a música portuguesa bem como a honra de ter sido considerada a Melhor Cantora Ligeira do Mundo com o prémio Diapasão de Ouro.
O fado é destino, portanto deu-me este destino a mim, disse Amália um dia. O destino de um Portugal dela orgulhoso.
Com: Lusa, Diário de Notícias e site oficial de Amália Rodrigues
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