Christmas Hardcore Fest
Gonçalo Dias
Prenda de Natal antecipada no sapatinho dos que encheram o Cine-Teatro de Corroios. As gentes do hardcore nacional prepararam-se a preceito para mais uma noite de destruição ao som de Madball. Novamente por terras lusas, uma das bandas mais emblemáticas do estilo fez questão de estar bem acompanhada por Overcome, Eternal Bond e Devil in Me.
Após o já habitual atraso, ao palco subiu, em primeiro plano, o hardcore directo e descomplexado dos Overcome. A deixar perceber alguma falta de rodagem nos palcos, o entusiasmo do vocalista atenuava alguma rigidez, timidez talvez, dos guitarristas e baixista, facto que se desvaneceu à medida que os temas se sucediam. A actuação desta banda de Loures teve como base a promo «Struggling For the Best», e contou com a participação do vocalista de Grankapo e de Ommited Grass Reaction. Surpresas agradáveis que vieram adornar um concerto que, ao contrario do que é costume nas primeiras bandas, não foi indiferente a uma plateia que nesta altura já compunha a meio gás o Cine-Teatro.

2007 foi o ano em que os lisboetas Eternal Bond decidiram voltar à carga, após três anos de interregno. Com o álbum «Convictions» lançado há dias, o grupo aproveitou esta oportunidade para apresentá-lo. O hardcore praticado mostrava-se, ora rápido, ora sujeito a breakdowns, mas sempre com grande atitude, embalando o público para os primeiros ensaios de mosh. A destacar a dupla dinâmica de vocalistas que se fartaram de puxar pelos presentes, pedindo inclusive uma wall of death, pedido que foi bem correspondido pelos mais bravos da plateia. A fechar, o tema-título do álbum «Convictions» e, à semelhança do início, um solo de teclado que ecoou até que todos saíssem de cena. Uma actuação cheia e segura, a provar que os Eternal Bond regressaram em força e para ficar.

Com uma ascensão fora do comum desde que se iniciaram nestes percursos, os Devil in Me são, sem dúvida, um fenómeno de popularidade à parte das restantes bandas de hardcore nacionais. Se a principio este fenómeno se centrava num público mais jovem, este transitou gradualmente para a “velha guarda”. E foi isto que se viu. Um concerto deste grupo é um concerto que se impõe por si só. Que clama atenção logo aos primeiros acordes, mesmo dos mais alheios ao som que praticam. Começando pela «DIM Anthem», e perante uma sala quase lotada, os Devil in Me partiram para uma actuação possante e cheia de nervo. O hardcore tocado era agora mais melódico, mas a ver pela confusão na assistência, imensa de princípio a fim, nem parecia. Músicos competentes, vocalista irrequieto, como mandam as regras, bastante interventivo entre temas, demasiado até, mas que carregava consigo a garra que destilava em cada sílaba, a banda focou-se maioritariamente no último álbum «Brothers in Arms», onde se destacaram a «Back Against the Wall» e a «Only God», fechando precisamente com o tema-título do álbum. Um bom aquecimento para o que estava para vir.
Para alguns os reis do hardcore mundial, os nova-iorquinos Madball voltaram ao nosso país apenas um ano após a sua ultima visita, com um novo álbum, «Infiltrate the System», na bagagem. A expectativa de toda a sala, grande e palpável, culminou numa explosão de energia mal o grupo pisou o palco, apresentando-se precisamente com primeiro tema do último álbum «We the People». Encetou-se o caos que apenas cessaria dali a uma hora. Ouviram-se e cantaram-se clássicos. «Hold It Down», «Can’t Stop Won’t Stop» deixaram a plateia em êxtase. Recuou-se até 1989 com «Across Your Face» e «Smell the Bacon», cantado a plenos pulmões. As raízes latinas não foram esquecidas com «Nuestra Família» e «100%». O calor que subia a cada tema tocado pouco importava. Corpos suados mas não cansados.
Freddy (vocalista) imitava o público e não parava um segundo, pulando de um lado para o outro do palco, mostrando-se muito bem disposto e comunicativo. Prematura e abruptamente a banda saiu do palco para voltar um nada depois para o encore, terminado a actuação em apoteose com «Demonstrating My Style», e por fim «Pride».
Passado o turbilhão, a sensação de que o concerto pecou por curto, e que, talvez por isso, hinos como «Set It Off» ou «Down by Law» ficaram excluídos da setlist. De qualquer das formas, assistiu-se a um concerto intenso a um ritmo impetuoso, um ambiente mais uma vez de camaradagem, e ficou a promessa de um regresso para o próximo Verão.

Myspace das bandas:
Overcome
Eternal Bond
Devil in Me
Madball
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