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Sindicatos e Governo apresentam discrepância de 58% nos números de adesão à greve  Enviar por email Imprimir

Gonçalo Dias

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Como seria expectável, foram díspares os resultados sobre a adesão à greve da Função Pública da passada Sexta-feira, apresentados pelos sindicatos e pelo Governo. De acordo com as três estruturas sindicais que convocaram a paralisação, a adesão à greve atingiu os 80%. Já o Governo apontou para os 22%.

Contra a actualização salarial de apenas 2,1% para 2008 e a intransigência negocial do Governo face à mesma, as três organizações responsáveis pela imobilização, a Frente Comum, afecta à CGTP, a Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) e Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), ambos da UGT, reivindicaram uma adesão à greve da Função Pública na ordem dos 80%. Mas de acordo com os últimos dados publicados no site do Ministério das Finanças e da Administração Pública a mesma greve contou com uma participação de 22%.

Segundo os dados divulgados pelo Governo 68 020 dos 314 034 dos funcionários públicos carregados na base de dados estiveram em greve. Este número representa uma adesão de 21,66%. Adiantam ainda que dos 12 595 serviços, apenas 2002 encerraram devido à greve. Área que registou uma maior adesão, o Ministério da Educação contabilizou 30 432 grevistas e 1737 escolas encerradas, logo seguido pelo Ministério da Saúde com 19 075 funcionários públicos em greve e 28 serviços fechados. O secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, assegurou que os dados não foram alvo de “qualquer intervenção dos ministérios”.

Do lado dos sindicatos, a versão é outra. A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, adiantou que a greve teve uma adesão acima dos 80%, com uma maior incidência nos sectores da educação, saúde e justiça. Em consonância, Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, afirmou que estivemos perante uma “grande greve, o que mostra o crescendo de identificação com as causas que levam os trabalhadores à greve”. Acrescentou por fim que espera que “que o Governo tire a lição e comece a negociar”.


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