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30 pessoas morrem queimadas numa igreja no Quénia  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Massacres no Quénia

A igreja onde morreram pelo menos 30 pessoas, sendo que diferentes fontes citam 35 e 40 mortos, foi incendiada por grupos de manifestantes, segundo as fontes oficiais citadas pelo mesmo diário espanhol. Já a edição digital do diário ‘Nation’, garante que o caso ocorreu na localidade de Eldoret, no oeste do Quénia.

As vítimas, na maioria mulheres e crianças, tinham encontrado refugio naquela igreja, depois das suas vivendas terem sido incendiadas durantes os distúrbios consequentes das eleições gerais da passada quinta-feira, ganhas pelo presidente Mwai Kibaki.

A igreja da Assembleia de Deus foi atacada por uma tribo. “Vi uns 10 a 15 corpos numa esquina. Não conseguiria voltar a aquela cena duas vezes,” contou um repórter local, dos primeiros a chegar à igreja.

O diário Nation também informa que dezenas de milhar de pessoas armadas estão a dirigir-se para um local conhecido como “Bosque Queimado”, a poucos quilómetros de Eldoret, onde, no passado, se registaram confrontações tribais sangretas e que marcaram a zona do país.

Com estas últimas mortes, já são, pelo menos 178 – dados avançados pelo governo queniano - as vítimas mortais dos distúrbios dos últimos dias.

Manisfestações Proibidas

O porta-voz do Governo queniano, Alfred Mutua, assegurou, pouco antes deste último massacre que, durante várias semanas, as manifestações seriam proibidas, o que afectaria a concentração convocada para a próxima quinta-feira pela oposição.

Numa conferência de imprensa, Mutua afirmou não ter o número de feridos disponível, mas sublinhou que a violência que estalou no passado sábado já desalojou cerca de 75.000 pessoas.

Antes do último massacre, os meios de comunicação locais referiam mais de 180 as vitimas mortais resultantes dos confrontos, ressalvando que o número aumentou com os choques que se registaram na cidade ocidental de Kisumu.

O porta-voz oficial afirmou que a imprensa estrangeira está a “exagerar” e atribuiu a culpa desta onda de violência pós-eleitoral a uma minoria integrada a que chamou “bando de hooligans”.

Mutua acrescentou ainda que a raiz da proibição oficial mantém-se para todo o tipo de manifestações, exemplificando que a manifestação agendada para a próxima quinta-feira no Paeque Uhuru, na capital, pelo líder da oposição Raila Odinga, não está autorizada.
Raila Odinga, líder da oposição no Quénia

Odinga acusa o Governo de ter realizado operações fraudulentas nas eleições passadas, que ditaram como presidente Mwai Kibaki, que se apresentava a sua própria reeleição. O porta-voz do Governo já anunciou que Kibaki demorará duas ou três semanas a nomear o novo executivo.

Com: Lusa, Reuters, El País.


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