Alunos da Faculdade de Letras de Lisboa contra plano de reorganização da instituição
Margarida Duarte

No âmbito dos trabalhos da Assembleia Estatutária, a Universidade de Lisboa está actualmente a discutir uma reorganização científica da instituição em quatro grandes áreas, o que poderá passar pela extinção das actuais faculdades enquanto unidades orgânicas.
Os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa têm vindo a manifestar-se “frontalmente contra” esta reorganização científica da instituição, afirmando que assim as faculdades irão perder a sua autonomia.
Em comunicado, a direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras afirma que os alunos “posicionam-se frontalmente contra a reestruturação da Universidade caso esta implique o desaparecimento das faculdades actualmente existentes para dar lugar à criação de quatro unidades orgânicas com órgãos de gestão comuns”.
“Ciências da Saúde”, “Ciências e Tecnologia”, “Direito, Administração e Economia” e “Humanidades, Artes e Ciências Sociais” são as áreas propostas, sendo que actualmente a Universidade de Lisboa é constituída por nove unidades orgânicas: oito faculdades e um instituto.
Para os alunos de Letras, a existência de quatro unidades orgânicas vem retirar autonomia às actuais faculdades e permitir “uma acrescida ingerência de entidades externas”.
“Por outro lado, afigura-se-nos como uma medida com claras intenções economicistas, no sentido de um corte ainda maior do financiamento, uma vez que as mesmas instalações e o mesmo material, já de si insuficiente, teriam, no caso da partilha de um mesmo espaço físico, de serem distribuídos por um número muito mais elevado de estudantes”, acusa em comunicado a Associação de Estudantes.
Professores também rejeitam a extinção da Faculdade de Letras enquanto unidade orgânica
Na sexta-feira,dia 18 de Janeiro, também os professores da Faculdade de Letras rejeitaram a extinção da Faculdade enquanto unidade orgânica, mas não se manifestaram contra a reorganização científica da instituição nas quatro áreas actualmente em discussão.
“Qualquer Universidade digna desse nome tem como unidade central do seu universo uma Faculdade de Letras. A mutilação de saberes imposta pela sua atomização ou extinção implicaria, ‘ipso facto’ o fim da Universidade”, afirmam os docentes, na moção aprovada dia 18 à noite, a que a Lusa teve acesso.
De acordo com a esta moção, os docentes definem ainda que “só aceitarão uma reorganização da estrutura institucional da universidade que consista na valorização do património cientifico-cultural existente, com a manutenção das actuais faculdades”.
A moção, que será entregue ao reitor da Universidade de Lisboa, foi aprovada com 120 votos a favor, 32 contra e duas abstenções.
Com: Lusa, Público, site oficial Faculdade de Letras de Lisboa, site oficial Associação de Estudantes da Faculdade de Letras
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