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Contratempos: “a cena underground reggae tuga”  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Contratempos ao vivo

Para quem não conhece música jamaicana teriam de se definir como reggae. Mas são uma banda de ska. São oito artistas, que tocam diferentes instrumentos e têm diferentes vidas. Apenas dois estudam música, outros estão a licenciar-se em diferentes áreas, desde economia às artes plásticas. Querem inovar a música jamaicana dos anos 60 juntando-lhe uma sonoridade portuguesa. Fado, cantares do Minho. Porque não? Quase a fazer 5 anos, os Contratempos são uma banda da lógica Do It Yourself.

No estúdio de ensaio improvisado de uma vivenda em Oeiras, falaram de si e da sua música: um ambiente jamaicano, em Português.
Para as pessoas que não conhecem ska e que não conhecem a banda, como é que se definiriam?

André (Bateria): É um bocado difícil, mas eu diria que somos uma banda que tenta pegar em música jamaicana e meter lá por cima um pouco de música portuguesa.

Como por exemplo?

Luís (Teclas): O que surgiu naturalmente foi o fado. Pelo menos para mim, o fado e o ska juntam-se muito bem. A voz da Carmo tem aspectos de fadista. Para além disso, é inegável que o fado tem muito da identidade portuguesa.

Miguel (Trompete): É mesmo isso. A nossa música é jamaicana com algumas influências de música portuguesa. Ou música portuguesa com algumas influências jamaicanas.

Todos: Não, não. É ao contrário.

Luís: Até pode ser os cantares do Minho. Já se fez tanto no panorama do ska internacional que nós tentamos inovar com a nossa musicalidade e com a nossa cultura.

Baterista

É fundamental para vocês cantar em português?

Luís: No início, como muitas bandas, começamos por tocar em inglês, para conhecermos melhor os instrumentos. Mas acabámos por nos aperceber de que soava melhor em português e decidimos começar a cantar na nossa língua.

Miguel: Isso é que é o essencial. A nossa definição, o facto de querermos juntar fado com música jamaicana, aconteceu. Não foi nada premeditado, simplesmente saiu o vocalista anterior e entrou a Carmo que cantava uns fados…

Consideram-se música jamaicana?

Luís: Se fores a ver dentro de uma perspectiva nacional nós tocamos reggae.

Acham que as pessoas não sabem distinguir ska de reggae?

Luís: Acho. Há muita falta de informação sobre música jamaicana. Principalmente por causa deste boom dos últimos anos. As pessoas acham que toda a música jamaicana é reggae. As pessoas sabem quem é o Bob Marley, mas se fores a perguntar por bandas de ska elas dizem-te bandas de reggae.

Miguel: Eu acho que nos somos a cena underground reggae tuga. (risos)

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