Contratempos: “a cena underground reggae tuga”
Susana Paula
Como distinguiam ska de reggae, para quem não conhece?
Luís: O ska é mais acelerado e o reggae é mais lento, precisamente pelas fases históricas que a Jamaica atravessou na altura da independência. Na altura ficaram eufóricos. E agora está tudo mal. E o reggae foi o decrescer dessa euforia.
João (Saxofone): O ska era a música nacional que tentava imitar a música americana dos blues, o R’n’B, algumas coisas do jazz. Há uma tentativa, que é falhada, e a velocidade acaba por decrescer para eles poderem fazer malhas de baixo mais compostas. E como esse ritmo decresce a bateria muda, as melodias mudam, a estrutura harmónica muda.
Vocês começaram pelos covers e depois passaram aos originais. Como é que isso aconteceu?
João: É o processo normal. Quando não sabemos tocar, não nos conhecemos, nem a nós nem aos instrumentos, temos de tocar as coisas que já estão feitas e tentar fazer o melhor possível. Ainda há uns tempos a banda teve um decréscimo de ritmo, e quando voltámos pensámos em tocar covers, só nos ensaios, para ganhar ritmo outra vez. Mas desde o início que a ideia era fazer coisas originais, por isso rapidamente passámos a compor.
Como é que se faz uma música em conjunto?
João: Isso foi mudando ao longo dos 3, 4 anos que já estamos juntos. Se no início havia alguém que dizia “isto é assim, deve ser feito desta maneira”, o Alex, depois mudou. Eu comecei a fazer coisas, o Miguel também, o André também… e agora o António e a Carmo também fazem. Acho que essa coisa de fazer as músicas muda muito e cada vez nos vejo mais participantes.
Mas chegam aqui com uma ideia?
Miguel: No início trazíamos ideias muito pouco consolidadas. Alguém trazia uma melodia de sons e ficavamos oito pessoas à volta daquilo - era impossível!
Luís: É muito complicado. É preciso buscar uma ideia, trabalhá-la e vir com ela mais ou menos preparada, para que a banda a possa trabalhar posteriormente, porque das poucas vezes que criámos músicas num ensaio demorámos meses para que ficassem decididas.
João: Mas, na verdade, essas músicas em que participa toda a gente são muito mais ricas.
Miguel: São melhores, demoram mais tempo e chateamo-nos uns com os outros. (risos)
Luís: Mas quando nos chateamos é porque a música ficou boa. (risos) A “Xadrez dos Diabos” é um exemplo, demorou 3 meses.
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