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Contratempos: “a cena underground reggae tuga”  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Carmo

Carmo (voz): Mais…

João: Tens de te lembrar que ensaiamos uma vez por semana e às vezes duas vezes por mês. A banda é algo que todos nós, salvo o António e o Pilhas, vemos como um passatempo. E, portanto, às vezes quando nos reencontramos passou muito tempo. Pegar nisso não é fácil.

“Algures no meio do nada” e o single “Devagar” passaram várias vezes na Antena 3 e, nessa altura, deram vários concertos. Como é que isso aconteceu?

Luís: Nós mandámos o CD para a antena 3, só que ele perdeu-se lá para dentro. (risos) No entanto, o Henrique Amaro [responsável pela divulgação da música portuguesa na Antena 3] encontrou o CD na Carbono, decidiu comprar, porque tinha ouvido uma música através de um e-mail qualquer no dia anterior. Por acaso pegou nele, ouviu, gostou e escolheu o single, a “Devagar”, não fomos nós.

João: Ele é que achou que era o single. Por um lado percebemos: é a música do álbum mais aceitável em termos de rádio, mas por outro não é a música que nos define mais como banda.

Não?

Luís: Nós somos uma banda muito mais de ska. Nós praticamos muito mais ska do que rocksteady ou do que reggae.

João: Apesar do álbum ser uma misturada. Ele passa por todo o lado. São 12 temas, penso que sim, mas nos nessa altura tocávamos 20 temas e os concertos na altura eram talvez 40% ska.

Miguel: Para a qualidade do álbum, acho que houve muita divulgação.

contrabaixista

Mas achas que o álbum não estava bom?

Miguel: Não.

Luís: Não, porque nós não percebíamos nada daquilo. Fomos para um estúdio, que era a casa do João Mendez, porque ele tinha dois microfones e um programa para gravar. Eu acho que esta maquete está muito melhor do que o álbum.

Mas a nível de conteúdo ou a nível técnico?

Luís: Técnico e a nível de maturidade. Não sabíamos muito. Mesmo em termos de gravação. Eu sei muito mais agora sobre gravar do que antes.

João: Eu até te explico desta maneira: o que era para ser uma maquete passou a ser um CD.

Luís: Não foi pensado. Surgiu. Primeiro só íamos gravar umas músicas, depois acabámos por gravar um álbum e depois divulgá-lo. Mas não há nenhuma máquina (risos). Aliás, acho que nunca vai haver! Estas coisas surgem. É o D.I.Y, “Do it yourself”, como se costuma dizer.

João: O CD tem canções boas, mas a maneira como estão tocadas está fraca, há uma série de imperfeições que se tornam cansativas para nós.

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