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Contratempos: “a cena underground reggae tuga”  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Miguel

Fizeram alguma música em estúdio?

João: A “Eu Não Sou de Cá”. Isto só revela a falta de planeamento que houve. Vendo as coisas de fora, sempre pensei que um álbum tem de estar pensado, alguém tem de ter uma ideia e um conceito para determinado álbum… Mas na realidade não é assim. Eu penso num álbum como um trabalho sério. Como não somos uma banda profissional, achámos que bem ou mal o nosso trabalho tinha valor para ser divulgado. Mas agora têm uma distribuidora…

Miguel: A música activa que é um bocado inactiva (risos)

Luís: Estão a dever-nos dinheiro! Não vou revelar quantias, mas precisamos desse dinheiro, porque somos uma banda pobre. (risos) Agora a sério. Só temos distribuidora. Acho que hoje em dia faz cada vez menos sentido ter uma editora.

João: A verdade é que dás o CD a um certo preço, e esse CD se tiveres editora passa para a editora, e passa uma quantia para a distribuidora e passa uma quantia para a loja que o vende.

Luís: Cada CD custou 1,7€, mais custos de produção, portanto cada CD custou 2€. Tu vendes a 5€ ganhas 3€. Portanto, nós ganhamos 3€ por cada. E a FNAC e a distribuidora ganham mais do que nós [O CD é vendido na FNAC a 15€].

João: Há alguma coisa que está errada, e é a atitude. Mas se essa atitude se traduzisse em investir em novas bandas e apoiá-las…

Luís: E aqui chegamos à conclusão de que não é necessário ter editora, porque as novas bandas que estão a surgir usam a Internet, há bandas que eram completamente desconhecidas e que agora são conhecidas só pelo seu myspace [espaço]. Acho que são poucas as vantagens. Aquilo que se justifica hoje em dia é uma distribuidora e uma agência de concertos.

Acham que é por causa disso que há este papão da música na Internet, dos downloads ilegais?

João: Os downloads chamados ilegais… Foi graças a coisas como essas que pudemos divulgar o nosso trabalho e dar concertos. Se não pudéssemos aceder à Internet, fazer uns cliques, não conhecíamos um terço da música jamaicana que conhecemos.

Luís: No geral, a inspiração para esta banda nasceu de bandas internacionais como Skatalites e outras mais desconhecidas, e não existem CDs à venda dessas bandas. E a gente tem de ir à Internet sacar álbuns.

João: Uma pessoa com vontade, informação e cultura consegue ir à Internet e educar-se musicalmente, coisa que não era possível há alguns anos. Não há nada comparado com essa grande fonoteca que é a Internet. Eu acho que isto é uma visão bonita das coisas: podes partilhar, e nós somos os primeiros a partilhar a nossa música, com muito gosto e vontade, para que as pessoas oiçam, e depois quem quiser que nos aconselhe, ajude ou acompanhe.

Luís: É uma coisa em que devíamos pensar. Quando gravas um álbum, deves ou não disponibilizar on-line? Qual é a quantidade de pessoas que querem aquele álbum? Acho que também temos de fazer a nossa vida, não é? Nós temos despesas e temos de, pelo menos, não perder dinheiro com isto.

João: Eu sou o primeiro a partilhar, digo aqui publicamente. (risos)

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