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Contratempos: “a cena underground reggae tuga”  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Pilhas

A banda nos últimos anos levou uma reviravolta. Até que ponto isso influenciou a banda e a música?

Miguel: Absolutamente.

Luís: A Carmo foi determinante, se ela não tivesse entrado não estávamos a fazer o que estamos a fazer agora.

João: É evidente que a Carmo e o Pedro, que vieram substituir as outras pessoas que saíram da banda, entraram nos Contratempos porque gostavam do conceito e não de querer mudar tudo e fazer uma coisa diferente. Eles são pessoas participativas. O António fez uma música que, por exemplo, é uma coisa nova e que não estava na lógica antiga [a “Esperança Embarcada”], e a Carmo também vem com músicas novas, ainda que nós quiséssemos fazer música mais portuguesa. A banda mudou.

Miguel: Na verdade, as letras mudaram completamente - se muda a pessoa que está a escrever, mudam as ideias.

Há quanto tempo é que já está pensada esta nova maquete?

Luís: Há dois anos que ninguém ouvia falar de nós, estamos a fazer coisas novas, por isso decidimos mostrar o que andávamos a fazer. Na verdade, somos uma banda muito famosa e já começávamos a ouvir o nosso público perguntar por nós. Até já tínhamos protestos à porta. (risos) A verdade é que não queríamos ficar fechados numa bolha.

João: Esta maquete foi feita para mandarmos para as agências de concertos. Era uma algo rústico, depois já tínhamos efeitos, já tinhamos uma maquete pronta para a rádio…

Luís: O André gostou de definir esta maquete como o intermédio daquilo que estamos a fazer. Temos ali três músicas que estão mais ou menos dentro do contexto daquilo que estamos a fazer, e depois temos a “Xadrez da vida” que está completamente dentro. É mesmo isso que queremos fazer. Tem ali uma portugalidade e é por aí que estamos a caminhar nas novas músicas.

Já as tocam ao vivo?

Luís: Só tocamos músicas novas, nós já não tocamos músicas do álbum anterior.

Porquê?

Luís: Porque achamos que a voz da Carmo não se adequa ao que tocávamos antes. Nós tentámos tocar as músicas antigas do álbum com a Carmo, porque quando ela chegou não haviam músicas novas e o álbum era a base para ela praticar. Mas acabou por ser difícil: as músicas estavam difíceis e ela não se estava a adaptar bem.

João: Depois de três concertos com a Carmo, surgiram comentários negativos no guestbook e as pessoas que conheciam Contratempos ficaram mesmo insatisfeitas. Por isso vamos limpar o passado. Vamos honrar, mas limpar. Temos de ir por outro caminho.

Vocês já tocaram num mesmo festival que uma das vossas bandas inspiração, os Skatalites…

(risos)

Luís: Nós gostamos de dizer isso, mas não tocámos.

Então?

Luís: Houve uns atrasos, como éramos os primeiros a tocar, fomos os primeiros a saltar, nem fizemos sound-check, nem nada. Ficamos mesmo tristes. Foi das maiores desilusões da minha vida. (silêncio)

Mas chegaram a conhecê-los, a estar com eles, eles são uma grande influência para vocês…

Luís: Sim, tivemos direito a estar no backstage… e os Skatalites são da cena musical dos anos 70. São só três e estavam no auge. Eles têm mesmo a cultura da Jamaica.

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