Dakar, o fim de um sonho?!
João Carita
Tudo começou em 1977. Thierry Sabine perdeu-se com a sua moto no deserto da Líbia durante o rali Abidjan - Nice. “Salvo das areias” in extremis, o piloto regressou a França subjugado pelas paisagens de sonho. Sabine prometeu na altura partilhar a sua descoberta com um máximo de pessoas e esse foi o seu objectivo: trazer um máximo de pessoas para esta imensidão de areia.
Thierry Sabine imaginou assim um percurso extraordinário com partida na Europa. O traçado passaria em seguida por Alger, atravessando depois Agadez para terminar em Dakar. O projecto concretizou-se rapidamente. O Paris-Dakar abriu-se a um mundo desconhecido, no qual o seu criador, Thierry Sabine, surge como um verdadeiro pioneiro. O seu lema era então: “Um desafio para os que partem. Um sonho para os que ficam”. África, continente de múltiplas facetas, oferece um elixir perfeito que mistura o sonho e a competição. Em 26 de Dezembro de 1978, partiu da Praça do Trocadéro o primeiro Paris-Dakar. Foi há mais de um quarto de século…
O rali

O Dakar é para muitos o rali mais exigente do mundo: mais de duas semanas de esforço e milhares de quilómetros de pista programados. Todos os anos, desde 1979, as tripulações, homens e mulheres, alimentam uma rivalidade intensa em pleno deserto. A sentença final designa sistematicamente vencedores de excepção. Porque mais do que noutras modalidades do mundo do desporto mecanizado, o sucesso no Dakar resulta de uma combinação de desempenho, determinação e regularidade.
Acima de tudo, e para além da vitória, a essência do Dakar consiste no desafio. Cada um dos concorrentes que participa mede-se, por um lado, em relação aos outros, mas também a si a mesmo, num contexto que o convida a exceder-se e ao mesmo tempo a ser humilde. Com objectivos que correspondem aos seus meios, os candidatos a esta aventura têm em comum a busca do equilíbrio.
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