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Dakar, o fim de um sonho?!  Enviar por email Imprimir

João Carita

Mas o Dakar não chegou a partir

A decisão apanhou todos de surpresa. A organização do Lisboa-Dakar 2008 anulou sexta-feira a prova, pela primeira vez em 30 anos, devido às tensões políticas internacionais, ao assassínio de quatro franceses na Mauritânia e às ameaças de terrorismo islâmico contra caravana.

«Tenho uma péssima notícia, o Dakar 2008 não arrancará», anunciou Etienne Lavigne, responsável da Amaury Sport Organisation (ASO), organizador da prova, perante um grande auditório do Centro Cultural de Belém, repleto e com as faces dos participantes a expressarem desilusão e frustração.

Lavigne explicou que, «após várias trocas de informação com o Governo francês, em particular com o ministério dos Negócios Estrangeiros, e tendo em conta as suas firmes recomendações, os organizadores decidiram cancelar o rali, que deveria realizar-se de 05 a 20 de Janeiro».

«Tendo em conta as actuais tensões políticas internacionais, o assassínio de quatro turistas, no passado dia 24 de Dezembro, atribuído a um ramo da Al-Qaeda, no Magrebe Islâmico, e, acima de tudo, às ameaças directas lançadas contra a prova por movimentos terroristas, a ASO não pode tomar outra decisão que não seja a anulação da prova», precisou Lavigne.

O organizador francês recordou que «a primeira responsabilidade da ASO é a de garantir a segurança de todos: populações dos países atravessados, concorrentes amadores e profissionais, sejam eles franceses ou estrangeiros, elementos da assistência técnica, jornalistas, patrocinadores e colaboradores do rali».

«A ASO reafirma que as questões de segurança não estão, não estiveram, nem nunca estarão em causa no rali Dakar», assegurou Lavigne.

O responsável da ASO sublinhou que a empresa francesa de organização de eventos desportivos «condena a ameaça terrorista que anula um ano de trabalho, de inscrições e paixão para todos os participantes».

Lavigne disse que a ASO está «consciente da frustração vivida, em particular em Portugal, Marrocos, Mauritânia e Senegal, bem como entre todos os fiéis parceiros», assim como «da decepção geral e das pesadas consequências económicas, em termos de retorno directo e indirecto, para os países atravessados».

Por isso, garante que «continuará a defender os valores que caracterizam os grandes acontecimentos desportivos e prosseguirá com a mesma determinação o desenvolvimento das suas acções humanitárias».

«O Dakar é um símbolo e não pode destruir os símbolos. A anulação da edição de 2008 não coloca em causa o futuro do Dacar. Propor, em 2009, uma nova aventura a todos os amantes do ‘rali-raid’ é um desafio que a ASO irá assumir nos próximos meses, fiel à sua presença e paixão pelo desporto», concluiu Etienne Lavigne.

Veja aqui o comunicado de imprensa na íntegra:

Lisboa, sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
A.S.O. anula edição 2008 do Rali Dakar

Após inúmeros contactos com o governo francês – em particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros – e tendo em conta as suas fortes recomendações, os organizadores do Dakar tomaram a decisão de anular a edição 2008 da prova, que deveria decorrer entre 5 e 20 do corrente mês, ligando Lisboa à capital do Senegal.

Tendo em conta as actuais situações de tensão politica, a nível internacional, o assassinato de quatro turistas franceses, no passado dia 24 de Dezembro, atribuído a um ramo do Al-Qaida, no Magreb islâmico, e acima de tudo as ameaças, directas, lançadas contra a prova, por movimentos terroristas, a A.S.O. não pode tomar outra decisão que não seja a anulação da prova.

A primeira responsabilidade da A.S.O. é a de garantir a segurança de todos: populações dos países atravessados, concorrentes amadores e profissionais, sejam eles franceses ou estrangeiros, elementos da assistência técnica, jornalistas, patrocinadores e colaboradores do rali. A A.S.O. reafirma que as questões de segurança não estão, não estiveram, nem nunca estarão em causa no rali Dakar.

A A.S.O. condena a ameaça terrorista que anula um ano de trabalho, de inscrições e de paixão para todos os participantes e diferentes actores do maior rali-raid do mundo. Consciente da imensa frustração, vivida, em particular, em Portugal, Marrocos, Mauritânia e Senegal, bem como entre todos os nossos fiéis parceiros, para lá da decepção geral e das pesadas consequência económicas, em termos de retorno directo e indirecto, para os países atravessados, a A.S.O. continuará a defender os valores que caracterizam os grandes acontecimentos desportivos e prosseguirá com a mesma determinação o desenvolvimento das suas acções humanitárias, através das Actions Dakar, implantadas depois de cinco anos em África sub-saariana com SOS Sahel Internacional.

O Dakar é um símbolo e nada pode destruir os símbolos. A anulação da edição 2008 não coloca em causa o futuro do Dakar. Propor, em 2009, uma nova aventura a todos os amantes dos rali-raid é um desafio que a A.S.O. irá assumir nos próximos meses, fiel à sua presença e paixão pelo desporto.

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