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Dakar, o fim de um sonho?!  Enviar por email Imprimir

João Carita

Reacções

O sonho que fica por realizar, os resultados que ficam por acontecer, o trabalho e o investimento que quase nada rendeu… Depois de tantas expectativas, tudo se desmoronou hoje, quando a organização do Lisboa-Dakar anunciou que pela primeira vez em 30 anos o Dakar não se iria realizar. A decisão apanhou todos de surpresa, que nunca esperariam que uma prova como o Dakar em que o risco está sempre presente e que em todos os anos se verificam mortes entre a caravana, resistisse a tudo, menos ao terrorismo. Talvez por isso, a maioria dos pilotos tenham tecido duras criticas à decisão.

Carlos Sainz: «É um grave golpe para o desporto»

Carlos Sainz

Carlos Sainz, um dos favoritos à vitoria, mostrou-se muito «desiludido e triste» com a anulação da prova. «Que se anule uma prova como o Dakar por um motivo extra-desportivo é criar um grave precedente no desporto», afirmou o piloto da Volkswagen. Carlos Sainz disse ainda que ficou surpreendido com a decisão dos organizadores em anular a totalidade da prova, seguindo a recomendação do Governo Francês para não atravessarem a Mauritânia, devido aos conflitos terroristas que se vivem no País, cenário de oito das quinze etapas. «Pensei que fossemos até Marrocos e que seriam anuladas as etapas na Mauritânia, sendo criado depois uma etapa alternativa em Marrocos, já que é um pais mais seguro. Se decidiram cancelar toda a prova, lá terão as suas razões», disse o piloto espanhol.

Marc Coma: «Os meus melhores anos estão a passar»

Marc Coma

Vencedor na categoria de motos em 2006, Marc Coma, ficou «decepcionado» com a anulação da edição deste ano e que apesar de pessoalmente sentir que os seus melhores anos estão a passar, lamentava ainda mais por Africa e por todos os que trabalharam na preparação do rali. «Pessoalmente, a carreira desportiva é curta. O ano passado perdi o Dakar e este ano não o posso sequer correr. Os meus melhores anos estão a passar. Felizmente já venci esta prova por uma vez», disse o piloto que no ano passado teve de abandonar a duas etapas do fim, quando liderava a classificação. «Não se trata apenas de uma corrida, é muito mais. É o trabalho de muitos meses», comentou o piloto, preocupado com as consequências que a anulação da prova terá para na Mauritânia.

Despres: «Cortaram-me as duas pernas»

Cyril Despres

O Francês, Cyril Despres, vencedor na edição passada, na categoria de motos, mostrou-se também ele decepcionado, sentindo que lhe tinham «cortado as duas pernas». «Não se pode fazer um Dakar sem que se goste de Africa. Penso na minha equipa e também em toda a gente que quer a corrida, em quem esteve tanto tempo a preparar a corrida com que tanto sonhavam e quando cai uma notícia assim é muito duro». Apesar da tristeza, Despres, confia na decisão dos organizadores: «A organização tomou uma decisão que respeito muito, porque eles montam a corrida e nos apenas participamos no jogo», afirmou o motard Francês.

Elisabete Jacinto: «Antigamente os pilotos sobreviviam e hoje em dia não sobrevivem?»

Elisabete Jacinto

Também Elisabete Jacinto se mostrou critica com a decisão, lançando uma questão que nos faz pensar: «Antigamente os pilotos sobreviviam e hoje em dia não sobrevivem?». A piloto Portuguesa considerou que a decisão de anular o Lisboa-Dacar 2008 é “estranha” e pode comprometer o futuro da prova.

Elisabete considera que «parece estranho. Eu não tenho informações suficientes para dizer seja o que for. Sei que até agora a organização disse sempre que tinha garantido a segurança e que trabalhou junto do governo da Mauritânia para garantir a segurança de toda a comitiva. Agora é estranho que, à última da hora, mesmo na véspera da partida, se venha a tomar uma decisão destas», lamentou, procurando «acreditar que houve razões válidas para a organização tomar esta opção», apesar de sublinhar que não tem as informações todas para saber se a decisão foi a acertada.

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