Dakar, o fim de um sonho?!
João Carita
Carlos Sousa: «é o fim do Dakar como o conhecemos hoje»

Afinal quem tinha razão era mesmo Carlos Sousa, que no anúncio que passa na TV refere que este ano o Dakar «é só camelos». Nem imaginava que o destino iria pregar uma partida a todos os envolvidos na prova: com o seu cancelamento, só mesmo os camelos irão embelezar a paisagem do deserto do Sahara. Toda a caravana do Dakar, rumará a casa!
Carlos Sousa já se referiu relativamente a este assunto e, em declarações ao AutoSport, referiu uma frase muito emblemática, que resume na perfeição todo este assunto: «É o fim do Dakar como o conhecemos hoje.»
E tem toda a razão, já que os problemas de segurança eram conhecidos de todos há anos, e agora as coisas não iriam ser muito diferentes, com mais ou menos ameaças. Elas sempre existiram! Contudo, o assassínio de quatro franceses há duas semanas na Mauritânia, despoletou toda esta situação e veio colocar nuvens negras sobre uma prova em que ninguém, e muito bem, quer arriscar e, depois, lamentar mais tragédias caso a prova continuasse. Agora, há que olhar em frente e Carlos Sousa avança mesmo com ideias: «Não sei se isto será o fim do Dakar em África como todos o conhecemos! Será certamente o fim do percurso que tem vindo a ser utilizado nos últimos anos, com a passagem pela Mauritânia. Há que parar para pensar e quiçá optar por outras zonas, mesmo em África, que não ofereçam o mesmo tipo de problemas. Por exemplo, Angola, Namíbia, a África do Sul ou mesmo mudar de continente e rumar à América. Há que ir para países estáveis, onde não existem essas questões de segurança».
«Alguma coisa se terá de fazer, já que estes problemas não são novidade, embora agora tenham ganho importância acrescida. Os problemas não se esgotam com a anulação da prova, já que agora há que saber o que vai suceder com todos os investimentos que foram feitos, pois no Dakar tudo é pago à partida! Está tudo pago e este é um problema que não se coloca tanto com as equipas oficiais, mas mais com os amadores que investem tudo numa prova como esta. Serão estes os grandes prejudicados».
«A Mitsubishi e a Volkswagen investem nesta prova cerca de 50 milhões de euros, e agora há que entrar num entendimento para reduzir o impacto negativo de toda esta situação, quiçá com a participação “em força” nas provas da Taça do Mundo. Algo terá de ser feito».
Câmaras de Portimão e de Benavente querem ser indemnizadas pelo cancelamento da prova


O presidente da Câmara Municipal de Portimão declarou que vai pedir à organização do Lisboa-Dakar 2008 o retorno de 1,5 milhões de euros que a autarquia investiu para receber a prova que foi hoje cancelada. De igual modo, o presidente da Câmara de Benavente indicou que a autarquia vai negociar com a organização da prova o ressarcimento dos cerca de 30 mil euros que investiu.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel da Luz, os «juristas da autarquia estão a estudar as contratualizações que foram feitas para que seja exigida à organização o retorno do investimento que a autarquia fez para receber a prova em Portimão».
O autarca disse à Lusa que já foram investidos 90 por cento do milhão e meio de euros, estando os restantes 10 por cento destinados a alojamento e outras questões logísticas para o fim-de-semana.
Manuel da Luz considerou a situação “estranha” porque «alegadamente terá a ver com as mortes de turistas franceses que ocorreram há cerca de uma semana. Espero que não seja uma questão política entre os governos francês e da Mauritânia», disse.
O presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão, que falava à Lusa depois de saber do cancelamento da prova, disse também que a autarquia tinha tudo contratualizado com a organização, razão pela qual tem agora «que ser ressarcida pelo investimento que fez».
«Tudo o que tínhamos negociado com o Dakar estava implantado no terreno, desde os terrenos para os pontos de encontro, animação musical, transportes, WC, tenda gigante, entre outros, um investimento de perto de cerca de 30 mil euros do qual temos agora que ser ressarcidos já que não vamos ter contrapartidas», frisou António José Ganhão.
O autarca lamentou ainda o cancelamento do Lisboa-Dakar 2008 mas afirmou entender o “risco” que a prova representava para os concorrentes franceses e para as companhias de seguros que “decidiram não arriscar”.
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