Milhares de palestinianos deixam Gaza
Susana Paula

Os palestinianos da faixa de Gaza, sob bloqueio israelita há uma semana, continuaram a cruzar a fronteira com o Egito em busca de alimentos, combustíveis e outros artigos escassos ou caros no território por conta das restrições.
A passagem dos palestinos para o lado egípcio de Rafah –cidade situada na fronteira– e para a cidade de El Arich prosseguiu durante a madrugada desta quinta, depois que ativistas, ontem, destruíram parte do muro fronteiriço.
Além de alimentos, os palestinos de Gaza compraram no Egito cigarros, cimento e produtos eletrónicos. Várias lojas situadas em Rafah ficaram vazias e os comerciantes tiveram de repor os stocks no Cairo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito informou que a passagem para Rafah continuará aberta enquanto a crise humanitária em Gaza persistir, segundo noticiou a rede americana CNN.
Palestiniano cruza a fronteira entre a faixa de Gaza e o Egito com um camelo comprado naquele país após sete dias de bloqueio no seu território
“Não abrimos a fronteira para todos passarem. Nós abrimos porque há uma situação humanitária muito grave”, disse o porta-voz do ministério, Hassam Zaki.
Israel manifestou preocupação de que a livre travessia de palestinianos para o Egito poderia propiciar a entrada de armamentos em Gaza - controlada pelo grupo radical islâmico Hamas desde junho passado. O governo afirmou que cabe ao Egito a tarefa de normalizar a situação na fronteira.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Taher Nunu, sugeriu nesta quinta-feira que o governo discuta o seu papel na fronteira entre Gaza e o Egito. “A passagem aberta desta maneira não tem lógica”, disse. “Estamos a estudar um mecanismo para ter um oficial nos pontos de passagem”.
Diplomatas americanos e árabes afirmaram que o Egito garantiu aos Estados Unidos que voltaria a fechar a fronteira com a faixa de Gaza em breve.
O governo israelita já afirmou que deixaria de entregar os carregamentos de combustível ao território, como prometido no início desta semana. Segundo autoridades de defesa, a população, livre para cruzar a fronteira com o Egito, não dependeria mais de Israel.
Gaza precisa do combustível para garantir o fornecimento de energia à população.
“Queremos deixar de fornecer [aos residentes palestinianos] eletricidade, água potável e remédios, que terão que receber de outras fontes”, afirmou o vice-ministro de Defesa de Israel, Matan Vilnai.
Pelo menos 500 mil pessoas foram afetacdas pela medida, que gerou o alarme diante do risco de uma crise humanitária em um território onde 80% da população já vive com a ajuda internacional.
A ONU e grupos de defesa dos direitos humanos condenaram a acção de Israel, mas criticaram também os grupos palestinianos que lançam foguetes contra territórios israelitass diariamente.
Com: Folha de S. Paulo, AFP, AP, EFE e Haaretz.
Fotografia: Kevin Frayer/AP
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