Taxa de Desemprego em Portugal atinge máximo
Gonçalo Dias
Não obstante as previsões de descida da taxa de desemprego por parte do Governo Socialista, esta continua a aumentar e já não deverá recuar face à média dos últimos anos, o que espelha uma alteração estrutural, para pior, do mercado de trabalho nacional.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego subiu para 8,4% da população activa no primeiro trimestre deste ano. Este valor é o mais alto das últimas duas décadas, e reflecte a reestruturação da economia e a retoma frágil e espaçada, aquém do ritmo dos parceiros europeus.
José Vieira da Silva, ministro do Trabalho, preferiu citar os números favoráveis dos centros de emprego, mas os do INE indicam que o fenómeno do desemprego não está em recuperação. A situação ganha contornos ainda mais preocupantes se aos quase 470 mil desempregados que actualmente existem Portugal somarmos os 108 mil indivíduos que o INE identifica como inactivos desencorajados e disponíveis para trabalhar. Neste caso a taxa de desemprego fica acima dos 10%.
Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, aponta que “o mais preocupante é ter havido destruição de emprego”. De facto, o volume de emprego caiu pelo segundo trimestre seguido. “Só isso mostra que a alteração do tecido empresarial, que tem levado ao encerramento de muitas fábricas, não terminou. Só no próximo ano é que o desemprego deverá cair”, acrescenta. Para Gonçalo Pascoal, do Millenium BCP, “o dinamismo económico está assente nas exportações. Sem investimento significativo também não há criação de emprego”, sublinhando os efeitos da crise do investimento na dinâmica do mercado laboral.
A concorrência das economias de baixo custo como a China ou Índia, em sectores tradicionais (intensivos em mão-de-obra), continua como um dos factores da destruição de emprego em Portugal. As vítimas são sobretudo mulheres mais jovens que trabalham na indústria transformadora, os operários e artífices do sexo feminino. É, basicamente, o retrato-robot “ de quem está a ser mais penalizado pelo fecho de fábricas de têxteis, vestuário e calçado”, ressalta Cristina Casalinho.
O Banco de Portugal não se revela mais optimista. Refere que há “debilidades estruturais” ao nível das qualificações das pessoas e da legislação laboral, factores que dificultam a afectação de recursos humanos e impedem um maior investimento no nosso país.
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