Sector privado ao ritmo europeu em 2008
Gonçalo Dias
As projecções do Banco de Portugal para a economia nacional, através da publicação do boletim económico de Verão e do relatório anual de 2006, mostram que o sector privado irá registar um crescimento de 2,2% durante este ano, acelerando para 2,7% em 2008.
Já no ano passado o sector privado registou um desempenho mais positivo que a totalidade da economia, ou seja, incluindo o sector público. A diferença entre estas duas taxas de crescimento pautou-se nos 0,4%, intervalo que deverá manter-se ou mesmo alargar ligeiramente em 2007 e 2008.
A diferença entre o sector privado e o público acentua-se na área do investimento. Devido aos cortes do Governo e das autarquias, o investimento público registou uma quebra de 17% em 2006, enquanto o investimento empresarial cresceu 1,4%, e deverá, nos anos seguintes, continuar a acelerar.
O investimento tem aliás um papel essencial na aceleração da economia portuguesa prevista pelo Banco de Portugal. Espera-se que este, depois de cinco anos seguidos de desempenho muito fraco, comece, já este ano, a recuperar. De acordo com a projecção apresentada, em 2007 o investimento deverá variar positivamente 0,6% e na parte final deste ano este indicador “já estará a crescer a um ritmo próximo de três por cento”, afiança Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal.
Num depoimento apresentado na Assembleia da Republica, Vítor Constâncio, reiterou no entanto a sua oposição à possibilidade de redução dos impostos nos próximos anos. “Não se devem ter grandes aspirações relativamente a uma redução de impostos num horizonte em que Portugal se comprometeu a reduzir para 0,5 por cento até 2010″, afirmou. Admitiu ainda que a correcção do défice é fundamental para um bom desempenho futuro da economia, apesar do impacto negativo na actividade a curto prazo da contenção orçamental,
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