Greve de estivadores cria prejuízo diário de 1,5 milhões para a economia portuguesa
Gonçalo Dias

Desde a última terça-feira em greve, os estivadores, quase 800 em Portugal, reclamam um quadro de efectivos mais alargado no Porto de Lisboa. A paralisação é, e será, de 100% até às 24 horas de sábado, hora em que a greve termina. Os custos directos desta imobilização para a economia portuguesa ascendem aos 1,5 milhões de euros por dia, fora os indirectos estimados em cinco milhões.
Foram cinco os dias de greve escalonados pelo Sindicato de Estivadores, Trabalhadores de Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal. No porto de Lisboa trabalham 380, têm em média 40 anos e um salário base de 1800 euros brutos por mês, e são, segundo o Sindicato, insuficientes para o trabalho existente. “A ponta do iceberg aconteceu com a não entrada de sete trabalhadores eventuais para o quadro de efectivos” refere Vítor Dias, presidente do Sindicato de Estivadores. E prossegue “estamos a falar de pessoas que, em média, fizeram mais de 30 turnos por mês. E mesmo assim a AETPL - a entidade empregadora - não conseguiu satisfazer 550 pedidos de empresas. Ora eu pergunto se não há, então, necessidade de mais efectivos?”.
Com uma paralisação de 100%, foi impedida a atracagem de 10 a 15 navios por dia no porto de Lisboa, o que contribuiu para prejuízos de 1,5 milhões de euros diários, aponta João Carvalho, presidente da Comunidade Portuária de Lisboa (CPL). E afiança que “os custos indirectos para a economia portuguesa estão avaliados em cinco milhões de euros. Há toda uma indústria e comércio à espera de mercadorias.” A CPL prepara, aliás, uma acção que vai mover em tribunal À direcção do Sindicato. Para João Carvalho, os motivos da greve são inaceitáveis. “Os trabalhadores em causa assinaram contratos a prazo. Não foram obrigados”, diz.
Por seu lado, Vítor Dias garante que não está preocupado com a acção em tribunal. Afirma que confia na justiça portuguesa e ainda que os custos de um só dia de greve pagariam os salários dos sete trabalhadores durante vários anos. ” Lamentamos que, até agora, as entidades oficiais, tutela e administração portuária não tenham tentado mediar o conflito promovendo o diálogo”, refere. “Nós fizemos um pré-aviso de greve com 10 dias úteis. Daria tempo para a situação ser resolvida de forma eficaz”, acrescenta ainda.
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