Portugal é o terceiro com mais desemprego na UE
Susana Paula

A taxa de desemprego em Portugal mantém a tendência de subida. Em Outubro atingiu 8,2 por cento, o que coloca Portugal no pódio das taxas mais elevadas da União Europeia (UE). É o que revelam os dados ontem divulgados pelo gabinete de estatísticas da comunidade europeia (Eurostat).
Entre os 27 países da UE, só a Eslováquia e a Polónia têm um desemprego mais elevado. Os eslovacos levam a medalha de ouro, com uma taxa de 11,2 por cento, enquanto que os polacos ficam pela de prata com 8,8 por cento. A Grécia também apresenta um valor superior ao português, mas os dados dizem respeito ao segundo trimestre e não ao mês de Outubro.
Apesar de receber a medalha de bronze, a verdade é que o desemprego afecta em Portugal mais 0,1 por cento da população activa do que na Alemanha, Espanha e França, onde 8,1 por cento não têm trabalho.
Os indicadores relativos a Portugal foram corrigidos depois de, inicialmente, o Eurostat ter avançado com uma taxa de 8,5. Há um ano, Portugal tinha uma taxa de 7,9, uma décima acima da média da UE e uma décima abaixo dos 13 países da zona euro. Nessa altura, oito países registavam um desemprego mais elevado do que o português. Os 8,2 por cento estão acima dos 7 do conjunto da UE, dos 7,2 da zona euro e representam um crescimento de 0,2 face aos 8,0 de Setembro passado. A subida de 0,3 sofrida por Portugal face a Outubro de 2006 foi a maior entre os 27 e está contra a corrente: em 23 países da UE regis-tou-se uma quebra do desemprego e a média passou de 7,8 em Outubro de 2006 para 7,0 um ano depois. A descida foi mais signifi cativa na Polónia, que há um ano tinha um de-semprego de 12,6 por cento.
Governo diz que desemprego vai descer em 2008
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu hoje que está preocupado com a situação do desemprego em Portugal. Já o primeiro-ministro, apesar de surpreendido com a taxa de Bruxelas de 8,2 por cento, está convencido que o número de pessoas sem trabalho vai baixar no próximo ano.
Alegre alerta para «grande défice de confiança e esperança»
O poeta e ex-candidato independente à Presidência da República Manuel Alegre defendeu que Portugal «não pode rimar com tanta desigualdade, tanto desemprego, tanta pobreza, tão grande desequilíbrio na distribuição dos rendimentos».
Com: Lusa, Público, SIC, SOL, Diário Digital
Imagem: DN
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