Uma portuguesa a fazer Erasmus em Ljubljana foi a Budapeste, Hungria.
Susana Paula

Budapeste é uma cidade de uma beleza pesada. Os edifícios, os monumentos, a arquitectura neo-gótica fazem com que, no seu conjunto, a cidade seja majestosa.
O que mais me impressionou em Budapeste não foram os edifícios da cidade, também não foram as pessoas - foi o que cada edificio ou cada monumento conseguiu transmitir sobre o que a cidade já viveu.
A cidade é chamada Budapeste devido aos nomes das duas margens do rio. Em Peste, a sinagoga foi dos sítios que mais sensações me trouxe. Nem os turistas loucos a fotografar tudo desenfreadamente, nem os guias turísticos a explicar tudo loucamente conseguiram estragar a minha sensação de prazer a apreciar aquele templo de judeus. Tudo no edificio tem uma Estrela de David: as janelas, os cadeeiros, os pátios. Ao que parece, é a maior sinagoga da Europa, mas também não foi isso que me cativou. Os dois memoriais referentes aos judeus mortos durante a II Guerra Mundial anulam o resto: um deles, alusivo às filas de pessoas à entrada dos campos de concentração; outro uma árvore de metal cujas folhas tinham o nome de cada familia morta durante essa estúpida guerra. E um pequeno cemitério, que, surpreendentemente, era bonito! E o típico “porquê?”, que não me saía da cabeça…
A Basílica de St. István foi a primeira igreja em que me emocionei. A devoção daquelas dezenas de pessoas sentadas a transmitir fé fez com que eu quase pudesse sentir os seus pedidos, as suas angústias ou os seus medos.
Apesar de ter começado a chover, continuámos pela beira-rio até ao parlamento. Estava rodeado por um gradeamento, e atrás dele, polícias a vigiar. Do lado de fora, um grupo de pessoas era liderado por um sujeito que erguia uma bandeira húngara.
Opondo-se a Peste, Buda expõe ao Danúbio o seu castelo no topo da colina. Peste remata com o parlamento, soberano. O fim do dia anunciava uma revolta de luzes em reflexo no Danúbio.
Chegando ao parlamento reparei melhor nos polícias, no gradeamento, nas velas, nas bandeiras atadas às grades. E outro homem á minha frente que erguia uma bandeira; mais outro que, ao passar, insultou os cerca de 30 polícias. Não resisti e tirei fotos.
Budapeste, a cidade das sensações.

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