Verdejante e na moda
Joana Fernandes
Diz que a terra anda chorosa. Que anda com calores e assim. Não é de agora, mas o ritmo tem acelerado; os tradicionais tipos verdes são mais ou menos as mães desta estória: têm feito barulho, com razão, mas têm dado argumentos que saem por um ouvido do mundo e entram pelo outro.
O tom desta estória manda rir para não chorar. Pede-se um aplauso para os famosos, que agora são verdes e estão preocupados com o aquecimento global. Como tudo quanto é produto, a ideia passou das elites para a plebe e é agora consumida em massa: livros, revistas, filmes, concertos, tudo serve para ajudar o planeta azul a não derreter. O povo compra, lê. Compra, vê. Compra, ouve. Entende? Actua?
Senti-me particularmente defraudada hoje quando abri a revista Visão: a propósito do concerto global Live Earth, promovido pela estrela verde das estrelas verdes, Al Gore, a Visão vai oferecer uma série de seis posters, com fotos do projecto, A Terra Vista do Céu. Para além disso, inicia, na revista, uma secção dedicada à defesa do planeta: Salvar a Terra. Até aqui tudo bem, tudo bonito. Agora giro-giro e assaz curioso é que se leia, na caixa que é oferecida para que se guardem os seis coleccionáveis, que a iniciativa tem um patrocínio exclusivo do Club Med, que glosa, por baixo do logótipo, a frase: «Discover new worlds, discover new people.»
Em suma, a coisa não é difícil de compreender. Somos muito verdes, muito amigos do planeta mas, não calhando mal, fazemos uns trocos. É fazer pouco barulho e aproveitar. A cavalo dado não se olha o dente.
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