Ventos de mudança…
André Bettencourt Rodrigues

Com a (in)esperada candidatura de Pedro Santana Lopes à presidência da bancada parlamentar do PSD, Luís Filipe Menezes enfrenta a sua primeira prova de fogo: a de convencer aos deputados sociais-democratas que a ruptura com o passado que se avizinha vale para todos, menos para aquele que deu ao Partido Socialista de José Sócrates a sua primeira maioria absoluta.
Ora, num momento raro de futurologia, arrisco dizer que será a partir desta primeira jogada de bastidores que o sucesso ou insucesso de Luís Filipe Menezes poderá ser desde já construído. Mas primeiro é necessário desconstruir estas realidades – e a que surge em primeiro lugar é o simples facto de que o PSD já não é o que era.
Os analistas políticos dizem que deixou de ser um partido controlado pelas elites para passar a ser um partido que vive à custa das bases. Até aqui, tudo bem.
O problema é que eu não sou analista – mais depressa, aspirante a jornalista – e digo na minha condição de verdadeiro desfragmentador de realidades/farejador da verdade/”salvador do mundo” que um partido nunca é controlado pelas suas bases: isso é tudo uma ilusão populista (dizem os analistas, claro) – a partir do momento em que as bases controlam um partido, este deixa de o ser como tal, ponto.
As bases servem única e exclusivamente para fazer o trabalho difícil, que se divide em muitos outros pontos os quais não quero precisar pelo simples medo de poder esquecer-me de algum. Posso, todavia, dar algumas linhas gerais que se situam entre o dar palmadinhas nas costas, abraços e palavras de tal forma catalisadoras que deixam todos os militantes na iminência de chorar de forma desmedida; até ao tratar de toda a burocracia que o Sr. Dr. líder do partido necessita para agendar um jantar na Bica do Sapato com os mesmos militantes que dão palmadinhas nas costas.
A segunda é que é nesta jogada (de mestre ou não, só com o decorrer do tempo o saberemos) que pode ficar definido o génio de Luís Filipe Menezes.
Convenhamos, a bancada parlamentar do PSD encontra-se orfã há muito tempo; inconsolável pela “fortíssima” oposição efectuada por Marques Mendes mas, acima de tudo, pela gritante falta de carisma. Carisma! Isso mesmo. Um partido que tem Francisco Sá Carneiro na sua génese nunca poderia deixar que a figura de Marques Mendes continuasse a ser bandeira do legado que recebeu. Não é ser preconceituoso. É antes ser pragmático.
Marques Mendes tinha qualidades – credibilidade e seriedade política são as que mais destaco. Foi o primeiro político que não tolerou candidatos cujos nomes estivessem sob suspeita na justiça portuguesa, mesmo que para isso tivesse que sacrificar o sucesso do próprio partido (refiro-me obviamente às autárquicas de 2005). Mas faltava-lhe qualquer coisa: a capacidade mobilizadora iniciada por Sá Carneiro, posteriormente reflectida em Cavaco Silva ou em Durão Barroso e até naquele que considero ser o exemplo mais evidente de todos, Alberto João Jardim. E é nesta capacidade de cativar os que o rodeiam, de fazer do impossível possível (com bons e maus exemplos como a conquista da Câmara de Lisboa e a passagem fugaz pelo Governo) que entra o vulto de Santana Lopes.
Com Santana Lopes a retomar um protagonismo condenado ao esquecimento, Luís Filipe Menezes tem pouco a ganhar e tudo a perder:
Sem Santana, Menezes corresponde a uma fórmula cujo resultado é uma incógnita (Menezes = [barões ÷ elites - mediatismo] + bases = 2009 = ?) – e daí ter campo aberto para fazer o que quiser.
Com Santana, o caso muda de figura. Tanto poderá ser um sucesso como uma catástrofe, pelos exemplos já referidos. As odes apontam com maior veemência para o desastre, mas Santana tem um aliado de peso: uma parte significativa dos tais “militantes de base”, que se mostram satisfeitos com o regresso do ex-primeiro ministro ex-presidente da câmara municipal de Lisboa ex-líder do PSD… Novo presidente da bancada parlamentar?
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