Política: \"Sócrates ataca tudo e todos, o que é sinal de fim de ciclo\" - Luís Filipe Menezes          I          Sócrates rejeita \"lições de esquerda\" e diz que nenhum Governo deixou tantas marcas nas políticas sociais          I          Marrocos: Seis imigrantes expulsos de Portugal continuam detidos, ONG´s vão concentrar-se junto à prisão          I          Automobilismo: Monte Carlo - Loeb soma 37ª vitória no Mundial de ralis          I          Grande Porto: Universidade reúne 100 figuras para repensar desenvolvimento da região          I          Política: \"Sócrates ataca tudo e todos, o que é sinal de fim de ciclo\" - Luís Filipe Menezes          I          Sócrates rejeita \"lições de esquerda\" e diz que nenhum Governo deixou tantas marcas nas políticas sociais          I          Marrocos: Seis imigrantes expulsos de Portugal continuam detidos, ONG´s vão concentrar-se junto à prisão          I          Automobilismo: Monte Carlo - Loeb soma 37ª vitória no Mundial de ralis          I          Grande Porto: Universidade reúne 100 figuras para repensar desenvolvimento da região          I         

“O maior pecado do jornalismo em Portugal é ser mau”  Enviar por email Imprimir

André Bettencourt Rodrigues

A frase  é de Teresa de Sousa, jornalista do Público. Causa comichão porque é contraditória, uma vez que a l’enfant terrible do jornalismo português dispara o impensável: “Faz-se bom jornalismo em Portugal”, se bem que “normalmente o que se faz no nosso país é sempre um bocadinho pior do que se faz noutros sítios”.

Cartoon media

Não sou especialista na matéria, mas quer-me parecer que há uma pequena diferença entre “ser mau” e “ser um bocadinho pior”. E essa minúscula divergência pode ser determinante para (des)encorajar os futuros aspirantes a jornalistas, que depois de uma revelação destas ficam naturalmente a remoer sobre o mundo que caiu aos seus pés.

O jornalismo em Portugal não precisa de palmadinhas nas costas, é certo;  mas das duas uma: ou se diz logo que não presta mas explica-se porque é que não presta; ou então deixamos o jornalismo quietinho no seu canto, à espera que ele paulatinamente deixe de ser um bocadinho pior daquilo que se faz noutros sítios - abrindo espaço para a mente poder reflectir sobre estas ideias.

Não faltam razões para o jornalismo português poder ser mau: a sua população alvo consiste em 10 milhões de habitantes, dos quais apenas uma pequena amostra lê com frequência, participa activamente no processo democrático, interessa-se pela causa pública, tem confiança nos seus dirigentes políticos, acredita nas instituições e defende que o Estado Social está a fazer um bom trabalho. A isto juntamos um jornalismo que vive dos anunciantes e que anda de mãos dadas com a política dominante e temos aqui a nossa fórmula de excelência.

Mas também se pode dizer que é precisamente por estas características que temos o jornalismo que temos, e aí deixa de haver mau jornalismo para passar a haver jornalismo um bocadinho pior quando comparado com os outros. Não se pode mudar os aspectos culturais de um país de um momento para o outro e se somos o reflexo daquilo que lemos, da forma como participamos no espaço público, do empenho que colocamos nas causas globais e da confiança que temos sobre os órgãos políticos; então também o jornalismo espelha tudo aquilo que nos caracteriza: deixa de ser bom ou mau, para passar a ser a imagem  daquilo que  somos.

O bom jornalista será então aquele que consegue fazer mais com menos, mantendo os valores da profissão intactos; num país onde os jornais se vendem cada vez menos, onde se dá a proliferação dos gratuitos e onde cada vez se torna mais difícil estabelecer esse compromisso de credibilidade com os leitores.

“A promiscuidade não é um caso exclusivo de Portugal”, acrescenta Teresa de Sousa. Não podia estar mais de acordo. Assiste-se à uniformização da informação e ao “tráfico de influências” entre jornalistas e profissionais de outras áreas como garantia de exclusividade a partir das fontes; mas num fenómeno que está longe de ser um exclusivo nacional.


Artigos relacionados: