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A efemeridade das estrelas

Filipa Galrão in Filipa Galrão, Crónicas, 26 Jan

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A morte é uma piada de mau gosto. É-o quando chega inoportuna sem ter marcado hora para vir. A morte é uma piada de mau gosto quando chega cedo demais, quando não é esperada e, mesmo sem ser bem-vinda, faz questão de entrar. A morte de Heath Ledger foi assim.

Lembro-me que quando andava no 8º ano, a minha professora de Físico-Química disse algo que nunca mais esqueci, pela brutalidade e frieza com que as palavras assentaram em mim: “As estrelas são como nós, nascem, vivem e morrem. São poeira e mais nada”. Claro que a professora se referia às estrelas, aqueles corpos celestes que descansam a anos luz da terra e nos iluminam em noites escuras e limpas.

 Porém, ao receber a notícia desta morte trágica lembrei-me imediatamente daquela frase que me atormentou a mente, então com 13 anos. Eu não entendia como ela,  a professora,  podia falar do ser humano, como se para além da sua vida, nada houvesse. E que houvesse!? O que seria, então, esse nada?

A verdade é que o tempo foi passando e a poeira que constitui as estrelas fez cada vez mais sentido para mim… Assim como as”estrelas” de Hollywood, também as estrelas celestiais são efémeras. Porque a vida é efémera, e não há nada que possamos contra tal constatação.

O que fica, então, para além da morte?

O legado. Aquilo que o Homem cria a partir da sua inteligência para bem do mundo, bem do próximo, permanece eternamente. Assim como uma estrela que, mesmo quando morre, continua a irradiar a sua luz para a terra durante milhões de anos, também a herança deixada pelo Homem permanece.

Heath Ledger era novo de mais para morrer. Mas Heath vai permanecer, porque o seu legado é digno de ser louvado por muitos e muitos anos. As suas interpretações cinematográficas são o melhor presente que nos deixou.

Numa entrevista recente, Heath Ledger declarou: “Sinto que estou a desperdiçar tempo se me repito. Não posso dizer que me orgulho do meu trabalho. É o mesmo com tudo o que faço: o dia em que eu disser “ficou bom”, é o dia em que começarei a fazer uma coisa diferente”.

Talvez a performance de Heath como Joker, em The Dark Knight, [a sequela de Batman Begins] tenha sido levada à exaustão para que ficasse perfeita. E talvez por estar tão perfeita Heath tenha achado que era tempo de parar para descansar. Talvez…

Que comece o culto, pois a vida do Homem pode ser efémera, mas a sua obra não.

 

O vício da estupidez

Filipa Galrão in Filipa Galrão, Crónicas, 25 Set

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Um Homem de meia - idade desce a calçada a cambalear. Vai depressa, não porque quer, mas porque não tem força que lhe permita aguentar-se nas pernas e andar mais devagar. Acaba por cair ofegante, de olhos esbugalhados, afogados num mar turvo, que empurram o seu pensamento para tudo aquilo que ele sabe que é mas não quer ser. E chora. De mágoa, de arrependimento. Chora porque está vivo e preferia não estar. Ler mais…


 


À procura de um país sem medo

Filipa Galrão in Filipa Galrão, Crónicas, 5 Set

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O medo de viver tipicamente português começou na ditadura. A tal que deixou o terror no ar, que inconscientemente se manifesta na altura de saber e agir. O medo ditatorial ainda existe para atrofiar o progresso que a democracia deveria ajudar a desenvolver. Assim, a sociedade não critica porque tem medo, um medo inconsciente, uma parvoíce diria eu, pois temos a liberdade mas não a sabemos usar.

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