Chegam as festas de verão… Chegam as touradas*
Joana Machado Duarte

As touradas. Eterna divisão. De um lado os que a consideram cruel, do outro os que a defendem com a necessidade de manter a tradição. De tantas vezes refutado tal já nem se pode chamar um argumento. Valerá a pena dizer que o ser humano teve inúmeros costumes bárbaros a que urge por um fim? Talvez não.
As excepções continuam a ser abertas. A matança depressa deixará de ser excepção para ser regra. E quando devíamos andar para frente, andamos para trás depois de inúmeras valsas para o lado.
Temos claro quem está contra e temos ainda quem não sabe o que diz. E quem não sabe o que diz, diz o quê? Diz que é pelos animais, pela vida, pelo ambiente e pela Paz (qual miss chorona), mas enche o campo pequeno todas as quintas-feiras. São as “pessoas sensíveis”:
As pessoas sensíveis – Sophia de Mello Breyner Andresen
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
(…)
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Oh Sophia quando voltares para buscar os momentos que não viveste junto ao mar não fiques pela praia lusitana. Faz o favor de entrar. Entra em nós Portugal de sombras e faz-nos rir risos largos como só tu sabes. Largos e frescos. Despudorados e sem ridículos temores de pequenez e soberba.
Afasta de uma vez este maldito nevoeiro de onde não sai nenhum Sebastião fez um dia muitos anos, mas que contínua a ensombrar-nos a vida e a dar trabalho aos pára-brisas. Entra em nós e faz-nos crescer. Deixemo-nos de salamaleques. Não nos indiques o caminho, empurra-nos!
*excerto da Farpa de Joana Duarte
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