Liberalizar
Joana Machado Duarte

Porque é fechada uma cara normal?
Espero num banco que não é de jardim por um autocarro que tarda. (pergunto ao sr. porque é fechada uma cara normal).
O percurso não foi sinuoso, longo e cinzento. Percorri-o a pé porque falhei a paragem. Como devem ter falhado todos aqueles que agora esperam por um autocarro que tarda. Ninguém está doente, ninguém chora, ninguém sorri.
Um rosto normal é fechado. Alguém que parado sorri é talvez um tolo, tolo. (Porque são tolos, Rita, aqueles que sorriem?)
Um amigo, uma tarde noutro sítio de sol. Chegamos a sorrir (Que foi?)
Chegamos com lágrimas (idem)
Chegamos fechados (nada)
Um fechado é um tudo bem para todos. Não incomoda, não questiona. Arrogante só quem parado não tem um rosto fechado.
(O sorrir tão óbvio, tão cronicado, desenhado, representado, escrito. Porque o vendemos tão caro? Porque foi o preço a que o comprámos?)
Sorrisos mais baratos que não se invoquem em vão (sim, como eu o invoco aqui. Cala-te e sorri).
Se eu mandasse, oh, definia covinhas vincadas como rosto padrão e mandava pintar todas as casas de branco.
(Sim, Stuka, estive a ler “aquele que uiva”. O génio … , mas os parênteses estão iguais)
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