Algo vai mal no reino do leão
João Carita

Tirando o facto de ser um sportinguista convicto, este meu lado “jornalístico” não deixa passar ao lado o simples facto de este ano o “meu” Sporting ter entrado com o “pé esquerdo”. O Sporting perdeu quatro dos 14 jogos oficiais disputados esta temporada. Quase um terço, um número que deve preocupar e que coloca em dúvida a qualidade global do plantel.
As duas últimas partidas que os leões perderam foram exames chumbados: por opção frente ao Fátima e por opção e necessidade perante a Roma, Paulo Bento apelou a alguns jogadores que normalmente não são titulares.
Já se sabe que estas aparentes oportunidades aos que menos jogam raramente o são de facto. Quando se muda muita gente, como na Carlsberg Cup, perdem-se rotinas e torna-se mais difícil a actuação de quem é escolhido.
Foi um pouco isso que sucedeu no Restelo, perante o Fátima. O que acaba por não surpreender. Já o mesmo não se pode dizer da atitude, que deixou a desejar, mais os erros individuais.
Em Roma, sem Polga e com Stojkovic de castigo (apesar de Paulo Bento afirmar que não), o treinador leonino teve de recorrer a elementos menos utilizados do plantel. Quer dizer, colocado perante essa necessidade, o treinador tentou evitá-la ao máximo, o que diz muito sobre a confiança que deposita nesta altura em algumas figuras do grupo.
O exemplo maior é Gladstone. Paulo Bento preferiu mexer também no meio-campo, puxando Miguel Veloso para o centro da defesa, em vez de simplesmente pedir ao brasileiro que substituísse Polga, lesionado.
Ao puxar Miguel Veloso para central, o Sporting ficou mais frágil no meio-campo, apesar do bom jogo de João Moutinho e sobretudo de Romagnoli. Mas percebeu-se que a equipa não está habituada a que Izmailov e Vuckcevic sejam titulares em simultâneo, um deles teria sido uma boa opção para entrar na segunda parte.
Liedson fez um golo, Yannick Djaló voltou a não criar oportunidades. Mas ambos quase não assustaram os italianos. Enquanto esteve empatado, Paulo Bento terá fingido que não observava as dificuldades do Sporting em aproximar-se com relativo perigo da baliza da Roma. Assim que se viu a perder, lançou Paredes, um jogador que desde que chegou a Alvalade ainda não assinou uma exibição convincente.
Depois preferiu mexer no sistema em vez de simplesmente alterar as peças que estavam a render pouco. Outro sinal de que é escassa a confiança nas opções de ataque que tinha no banco, Purovic e Celsinho.
Nesta altura da temporada continua a ser cedo para tirar conclusões definitivas sobre a qualidade de qualquer plantel. Mas é capaz de não ser apressado dizer que o Sporting está a sentir demasiado a ausência de Derlei. Um problema grave a que se juntam as dúvidas sobre a adaptação de jogadores como Gladstone, Purovic ou Celsinho. E a certeza de que Paredes e Farnerud já tiveram mais minutos do que o seu rendimento justifica.
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