Do céu ao inferno!
João Carita
Esta semana vou voltar a falar de futebol! Eu bem queria evitar falar na “redondinha”, mas os nossos meios de comunicação social (bem como a sociedade) estão como que programados para o futebol e só mesmo o futebol! Mas como nem isso é sempre mau e sendo eu próprio um adepto quase que fanático do desporto-rei vou então falar-vos da ambiguidade deste desporto que apaixona milhões por todo o mundo, que no curto espaço de dois dias pode ir do Céu ao Inferno!
o4 Nov. 2007, 9ª Jornada da Bwin Liga, Estádio Alvalade XXI, Sporting - Naval: O CÉU!
O golo de Liedson (2º golo dos leões) é um monumento, ainda mais bonito por ter sido captado de diversos ângulos, na televisão. É fantástico aquele instante. Impressiona tanto a qualidade da finalização como a coragem de Liedson, rodeado por quatro adversários.
De resto, Liedson é isso: um finalizador brilhante que trabalha, espécie rara.
Só um jogador que acredita tanto em si seria capaz de um golo daqueles e um pouco mais tarde iria pressionar Taborda convencido de que o resultado seria exactamente aquele.
Liedson é um goleador que orgulha esta Liga e resolve problemas ao Sporting.
P.S. : Numa altura em que se fazem listas de compras e vendas de Carlos Freitas, talvez seja justo lembrar que Liedson era desconhecido em Portugal antes de o administrador descobrir em São Paulo a possibilidade de o trazer para Alvalade. Ele era “apenas” um empregado de supermercado que repunha os produtos nas prateleiras!
O vídeo do golo de Liedson
06 Nov. 2007, 4ª Jornada do Grupo D da Liga dos Campeões, Celtic Park, Glasgow, Celtic - Benfica: O INFERNO!
Quem pensa primeiro em defender um clube e só depois o futebol poderá achar que já se falou de mais na entrada de Binya, em Glasgow. E, espanto!, poderá até achar que os escoceses estão a ser incorrectos (?!) ao exigirem punição exemplar para o jovem camaronês.
Mas é evidente que esta visão não faz sentido.
Por um lado, não há hipótese de pensar em defender um clube, seja ele qual for, que não foi capaz de impedir aquele comportamento. Sim, porque no caso de Binya não se trata de acto irreflectido mas apenas da manifestação mais evidente de uma forma de estar que já não se aceita no futebol moderno.
Dito de uma forma mais clara: Binya já tinha anunciado que algo do género podia suceder. Bastava observar o seu comportamento em jogos da liga portuguesa. Uma coisa é empenho, outra bem diferente é falta de respeito pelo adversário. E o médio do Benfica oscilava perigosamente ao longo desta ténue linha.
Os responsáveis do Benfica não conseguiram, nestas semanas que Binya leva como titular, explicar-lhe até onde podia levar a entrega ao jogo. E isso é algo que não se entende e terminou da forma que todos vimos, em Glasgow.
Binya não é novo de mais para perceber que tem de mudar. Pelo contrário, está em muito boa altura para o fazer. Mas tem de começar já. Os problemas começam a resolver-se no instante em que os admitimos.
Desculpabilizar Binya na tentativa de ver o castigo atenuado é não só ridículo como perigoso. Este é o momento certo para o médio entender a exacta dimensão do seu acto, não há espaço para «paninhos quentes». Até porque um jogador de futebol não é aquilo.
O vídeo da agressão de Binya
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