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Um aperto chamado Marchas Populares

Joana Fernandes in Crónicas, 14 Jun

Porta fechada. Cinto posto. Ignição. Primeira, arranca. Segunda, segue. Terceira. Quarta. Tudo bem até Cacilhas.

Em tom de dor tremente fez-se chegar o fado do estacionamento. Calor. Ponto morto. Terror da santa-direcção-sem-assitência. Primeira. Ponto morto. Primeira. Ponto morto. Primeira. Um achado, e o carro, finalmente arrumado.

Ia jurar que a Transtejo começara a oferecer rebuçados nas travessias. O terminal estava à pinha: tudo era povo, num aperalto generalizado: nunca o Cacilheiro se tinha passeado pelas ninfas recheado de tão catita substância. Ia tudo, como quem diz, numa Romaria pipi.

Eu «Ao Contrário das Ondas», com o Urbano. À volta, o tagarelar de excitação. Diz que é festa. Sardinhada. Marchas. Marchas. Marchas. Desculpa, Urbano, isto merece atenção.

O sol vai-se pondo, que está pouco para confusões destas. O fulano de bigode faz Sudoku; a miúda gira, muito sabrinas, muito risco ao lado, beija o fulano gordo. O casal de meia-idade faz de conta que ainda tem encanto passar o Tejo de mãos dadas. A família alegria dá uso à parafernália de tecnologias de bolso que comprou a prestações e fotografa-se sem contenções: há que deixar a festa em registo, para a posteridade.

O barco está encardido. Não se vestiu para a festa. Atracamos. É a debandada. Lisboa está vestida de Festa. Está vestida de aperto. Um aperto pegado desde Cais do Sodré até à Sé. Ia jurar que até as ruas de Alfama alargaram.

Segue-se o cheiro a sardinhas e brinca-se ao Santo António.

 

Verdejante e na moda

Joana Fernandes in Joana Fernandes, Suplementos, Crónicas, 10 Jun

Diz que a terra anda chorosa. Que anda com calores e assim. Não é de agora, mas o ritmo tem acelerado; os tradicionais tipos verdes são mais ou menos as mães desta estória: têm feito barulho, com razão, mas têm dado argumentos que saem por um ouvido do mundo e entram pelo outro.
O tom desta estória manda rir para não chorar. Pede-se um aplauso para os famosos, que agora são verdes e estão preocupados com o aquecimento global. Como tudo quanto é produto, a ideia passou das elites para a plebe e é agora consumida em massa: livros, revistas, filmes, concertos, tudo serve para ajudar o planeta azul a não derreter. O povo compra, lê. Compra, vê. Compra, ouve. Entende? Actua?

Senti-me particularmente defraudada hoje quando abri a revista Visão: a propósito do concerto global Live Earth, promovido pela estrela verde das estrelas verdes, Al Gore, a Visão vai oferecer uma série de seis posters, com fotos do projecto, A Terra Vista do Céu. Para além disso, inicia, na revista, uma secção dedicada à defesa do planeta: Salvar a Terra. Até aqui tudo bem, tudo bonito. Agora giro-giro e assaz curioso é que se leia, na caixa que é oferecida para que se guardem os seis coleccionáveis, que a iniciativa tem um patrocínio exclusivo do Club Med, que glosa, por baixo do logótipo, a frase: «Discover new worlds, discover new people.»

Em suma, a coisa não é difícil de compreender. Somos muito verdes, muito amigos do planeta mas, não calhando mal, fazemos uns trocos. É fazer pouco barulho e aproveitar. A cavalo dado não se olha o dente.


 


Violeta tem janelas na mente

Eliana Silva in Eliana Silva, 6 Jun

A Violeta gosta de andar de transportes públicos. A mistura de que faz parte quando entra num qualquer metropolitano ou autocarro faz com que se sinta uma milésima partícula duma massa amorfa. Ali, é igual a todos os outros; o objectivo que os move até ao stressante local de trabalho, ao nervoso encontro, à pessoa roubada ou ao desassossego do lar é o mesmo para todos os que se encaminharam naquele veículo. Ler mais…

 

Uma tarde normal

Alexandre Soares in Alexandre Soares, 30 Mai

Era uma tarde como tantas outras. Os pés enterravam-se na areia em busca de conforto enquanto os olhos varriam a paisagem em busca de um sítio onde se pudesse descansar a vista. Às tardes de quarta-feira, em início da Primavera, não se reconhece o mérito de reunir pessoas na praia e esta não foi diferente. Nessa dia, faziam-me companhia o sol, o voo das gaivotas e um grupo de velhotes que atrás de mim prosavam num banco.

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Conta, peso e medida. Grito.

Joana Fernandes in Joana Fernandes, 27 Mai

O Diário de Notícias avançou na quinta-feira, dia 24, que, desde o dia do desaparecimento de Madeleine McCann – um total de 21 dias à data de publicação da notícia – já desapareceram no Reino Unido 800 menores. Ler mais…