Porta fechada. Cinto posto. Ignição. Primeira, arranca. Segunda, segue. Terceira. Quarta. Tudo bem até Cacilhas.
Em tom de dor tremente fez-se chegar o fado do estacionamento. Calor. Ponto morto. Terror da santa-direcção-sem-assitência. Primeira. Ponto morto. Primeira. Ponto morto. Primeira. Um achado, e o carro, finalmente arrumado.
Ia jurar que a Transtejo começara a oferecer rebuçados nas travessias. O terminal estava à pinha: tudo era povo, num aperalto generalizado: nunca o Cacilheiro se tinha passeado pelas ninfas recheado de tão catita substância. Ia tudo, como quem diz, numa Romaria pipi.
Eu «Ao Contrário das Ondas», com o Urbano. À volta, o tagarelar de excitação. Diz que é festa. Sardinhada. Marchas. Marchas. Marchas. Desculpa, Urbano, isto merece atenção.
O sol vai-se pondo, que está pouco para confusões destas. O fulano de bigode faz Sudoku; a miúda gira, muito sabrinas, muito risco ao lado, beija o fulano gordo. O casal de meia-idade faz de conta que ainda tem encanto passar o Tejo de mãos dadas. A família alegria dá uso à parafernália de tecnologias de bolso que comprou a prestações e fotografa-se sem contenções: há que deixar a festa em registo, para a posteridade.
O barco está encardido. Não se vestiu para a festa. Atracamos. É a debandada. Lisboa está vestida de Festa. Está vestida de aperto. Um aperto pegado desde Cais do Sodré até à Sé. Ia jurar que até as ruas de Alfama alargaram.
Segue-se o cheiro a sardinhas e brinca-se ao Santo António.


