Faixa de Gaza sob fogo israelita
Marco Silva

Nos últimos dias, o território palestiniano da Faixa de Gaza tem sido alvo de fogo cerrado por parte de Israel. A ofensiva militar surge na sequência de ataques palestinianos à zona sul de Israel, que puseram fim a um cessar-fogo de seis meses entre estes países. O conflito volta assim a grassar na região, enquanto a Palestina se debate com divergências internas no Governo de coligação – onde o Hamas e a Fatah têm assento.
Ao longo da última semana, a Faixa de Gaza esteve na linha de fogo israelita. Vários mísseis foram lançados, tendo atingido um campo de refugiados em Shati, uma casa de câmbios, bem como outros pontos da cidade. Todos estes alvos foram visados pelos raides aéreos israelitas, pela sua alegada ligação aos elementos terroristas do Hamas (partido de Governo palestiniano) que pretendem levar a cabo a Jihad Islâmica. Segundo dados avançados pelo jornal francês Le Monde, quarenta palestinianos (13 civis e 27 combatentes) terão já sucumbido perante a ofensiva aérea israelita iniciada a 16 de Maio.
Esta resposta militar foi aprovada por Israel, depois de o Hamas ter anunciado que os ataques com rockets ao Estado hebraico seriam retomados, quebrando um cessar-fogo de seis meses. Embora pequenas facções terroristas palestinianas tenham ocasionalmente violado o cessar-fogo, só agora é que este foi oficialmente quebrado, tendo o número de rockets lançados subido em flecha desde então. De acordo com informações dadas pelo Exército de Israel ao jornal New York Times, 220 rockets terão sido lançados pelas milícias palestinianas desde meados do mês. Por trás destes ataques esteve o braço militar do Hamas: as Brigadas Ezzedine Al-Qassam.
Apesar do apoio do Hamas à escalada da violência contra Israel, esta não é uma causa que una a Palestina. O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, apelou já à imediata suspensão dos ataques aéreos, que considera “inúteis e despropositados”. Membro da Fatah (partido rival do Hamas), Mahmoud Abbas reuniu-se já com emissários do Executivo palestiniano, no sentido de negociar uma solução pacífica. Porém, o diálogo foi comprometido, dados os sucessivos confrontos nas ruas entre ambos os partidos (confrontos esses, que vitimaram já cerca de 50 palestinianos). Para superar esta situação, o Egipto mostrou-se disponível para mediar o diálogo entre ambas as partes, tendo sido já prevista uma reunião na cidade do Cairo.
Também a União Europeia e as Nações Unidas se mostraram preocupadas com a situação, sobretudo por causa do elevado número de vítimas civis de ambas as partes. Perante os restantes estados-membros, o observador permanente da Palestina na ONU, Ryad Mansour, procurou incitar a acção do Conselho de Segurança, bem como o envio de observadores para o cenário de guerra.
À hora de fecho da redacção do AMADOR, o site da estação de televisão Al-Jazeera anunciava também a detenção do Ministro palestiniano de Estado, Wasfi Kabha, por parte das tropas israelitas. Esta quinta-feira, outros 33 líderes políticos do Hamas haviam já sido detidos.
Leia outros artigos sobre este assunto:
Jornal norte-americano “New York Times”
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