China furiosa com recepção americana ao Dalai Lama
Alexandre Soares

A China reagiu de imediato contra as honras que têm sido prestadas ao Dalai Lama nos Estados Unidos.
Furiosa com os EUA por homenagearem Dalai lama com um prémio, os dirigentes chineses alertaram que estam a aumentar as actividades inssurecionais dos apoiantes de Dalai Lama na parte do Tibete controlada pela China.
A China acredita que a homenagem ao Dalai Lama encorajará actividades separatistas e poderá lesar as relações entre os governos de Washington e Pequim.
“Estamos furiosos”, disse o lider do Partido Comunista Tibetano, Zhang Qingli, aos repórteres. Acrescentou: “Se o Dalai Lama pode receber tal premio, não deve haver justiça ou boas pessoas no mundo.”
Um membro da embaixada chinesa fez questão de exigir aos Estados Unidos que «mantenham o seu compromisso de reconhecer o Tibete como parte da China e não apoiem a independência do Tibete».
“A China pediu solenemente aos Estados Unidos que cancela-se a já mecionada e extretremamente errada intenção,” disse Yang aos reporteres no décimo setimo Congresso do partido Comunista Chinês.
O porta-voz para os negocios estrangeiros Liu Jianchao disse que, se a decisão de homenagear Dalai Lama não for revertida, ela terá um “grande impacto” nas relações entre os dois paises.
Dentro do Partido comunista Chinês, Dalai Lama é visto como um separatista e um traidor e por isso, já esta semana, recusaram-se a participar num encontro em que as grandes potencias mundiais discutiram a situação do Irão.
Além disso, a China cancelou um encontro anual que mantem com a Alemanha para debater direitos humanos. A atitude foi interpretada como um sinal de protesto contra a recepção da Chanceller Angela Merkel a Dalai lama no passado mês de Setembro.
Bush ignora Pequim
O presidente americano George W. Bush recebeu Dalai Lama esta terça-feira e assistiu a uma cerimônia pública em homenagem ao líder tibetano, apesar de “compreender” o protesto chinês, como afirmou um porta-voz da casa branca.
Para Liu Jianchao, estas homenagens “violam gravemente os princípios básicos das relações internacionais, ferem os sentimentos dos chineses e constituem uma interferência grosseira nos assuntos internos da China”.
Dalai Lama recebe a medalha de ouro do Congresso Norte Americano na quarta feira depois de ser recebido na Casa Branca pelo presidente George W. Bush.
Dalai lama e o caso português
No passado mês de Setembro, o Governo português recusou-se a receber oficialmente o Dalai Lama. Uma atitude que foi entendida como um sinal claro da falta de coragem da politica internacional portuguesa.
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«Oficialmente, Dalai Lama não é recebido por responsáveis do Governo português, como é óbvio», declarou na altura aos jornalistas o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado.
Questionado sobre por que razões considerava óbvia a recusa do Governo de Lisboa em receber oficialmente o Dalai Lama, Luís Amado afirmou: «Pelas razões que são conhecidas».
Dalai lama acabou por ser recebido dia 13 na Assembleia da República pela Comissão de Negócios Estrangeiros - a pedido dos respectivos deputados - e, no dia 14, pelo Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Jorge Sampaio.
O líder espiritual budista natural do Tibete vive em exilio na India desde que protagonizou uma falhada tentativa de insureicção contra o dominio chines em 1959
Dalai Lama ao longo do tempo tornou-se o líder político do Tibete, onde política e religião se fundem num Estado teocrático. Dessa maneira, Dalai Lama acaba por ser um líder espiritual e político.
O actual Dalai Lama chama-se Tenzin Gyatso e é o 14º Dalai-Lama. Nasceu em 1935 e até 1959 morou no Palácio de Potala durante o inverno e na residência de Norbulingka durante o verão, em Lhasa. Nessa data, a China invadiu o Tibete e Dalai Lama teve de fugir para a Índia, onde ainda mora, no local de Dharamsala.
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