Legislativas no Paquistão antes de 9 de Janeiro de 2008
Joana Machado Duarte
O general Perez Musharraf, presidente do Paquistão, anunciou em Islamabad a dissolução do Parlamento Nacional na próxima quinta-feira.
Deste modo, espera-se que as eleições se possam realizar dentro de 45 a 60 dias.
Musharraf sublinhou no entanto que cabe à Comissão Eleitoral determinar a data exacta, reiterando ainda a sua decisão de renunciar ao cargo de Chefe de Estado-maior das Forças Armadas.
Já antes da conferência o presidente do Paquistão havia anunciado a alteração na legislação do pais que possibilita que os tribunais militares possam julgar civis. De acordo cm a agencia paquistanesa APP a revisão da lei militar foi decidida por Musharraf numa reunião com a cúpula do exército em Rawalpindi no passado sábado.
Recorde-se que no passado dia 3 de Novembro o presidente paquistanês decretou o estado de emergência, segundo o próprio “para salvar o processo democrático”. Musharraf afirmou ainda que esta foi a decisão mais difícil que alguma vez tomou.
O general insiste que esta medida extrema foi tomada para impedir que extremistas islâmicos tomassem o controlo no Paquistão mas a decretação do estado de emergência visou a comunicação social e os seus opositores polípticos e judiciais.
Aeroporto de Lahore ocupado pelas forças de segurança
Numa altura em que se contam os dias para o cumprimento das promessas de Musharraf as forças de segurança paquistanesas ocuparam o aeroporto de Lahore, no Leste. Esta medida de força visa proteger a chegada de Islamabad da ex. primeira-ministra Benazir Bhutto.
Em declarações ao canal privado Dawn um oficial da segurança terá dito que todos os esforços estão a ser feitos para que não haja um novo atentado.

A líder da oposição, Benazir Bhutto foi já alvo de um perigoso atentado que vitimou 139 pessoas de uma caravana liderada pela própria em Carashi no passado dia 18.
Benazir Bhutto vem para Lahore com o objectivo de liderar uma marcha de 275 quilómetros até à capital. Na mira dos manifestantes estará a contestação da decisão do presidente Perez Musharraf em declarar estado de emergência.
Promessas de Musharraf são “passos positivos” para Bush
A vontade manifestada pelo presidente paquistanês em realizar eleições (reiterada hoje), a sua prometida demissão do cargo de Chefe de Estado das Forças Armadas e a promessa de levantar o estado de emergência no Paquistão levaram o presidente dos EUA a sua atitude.
Bush enalteceu ontem, sábado, a abertura de Musharraf mantendo a sua atitude de não criticar abertamente os acontecimentos no Paquistão.
Quando questionado acerca do estado do combate norte-americano à Al Qaeda no Paquistão e da possível influência que as manobras de Musharraf podiam ter nessa luta, Bush reafirmou a importância da cooperação do Paquistão.
Ainda segundo Bush, só com o apoio do presidente Musharraf foi possível levar vários líderes da Al Qaeda perante a justiça.
Estas declarações de Bush vêm de certa forma apoiar Musharraf, duramente criticado pela instauração do estado de emergência no Paquistão.
Com: Lusa, Reuters, Al Jazeera
Fotos: Reuters
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