FARC vão libertar Carla Rojas
Susana Paula
Emanuel é o nome da criança de 3 anos, filha de Clara Rojas. Emanuel vive em cativeiro, mas não sabe. O menino de três anos nasceu na selva colombiana, onde a mãe vive sequestrada desde 23 de Fevereiro de 2002 pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Emanuel nasceu de uma relação com um guerrilheiro e em breve vai saber o que é a liberdade. As FARC anunciaram ontem a libertação da mãe, do filho e de outra refém, raptada em 2001.
São 3 pessoas do grupo de 45 reféns políticos que as FARC mantêm sob seu domínio que vão ser entregues ao presidente venezuelano, Hugo Chávez. A informação foi divulgada pela agência de notícias cubana Prensa Latina, após o recebimento de um comunicado assinado pelo secretariado da guerrilha. De acordo com a nota, o grupo rebelde colocará em liberdade Clara Rojas, o seu filho e a deputada Consuelo González de Perdomo, refém desde 2001. No comunicado, as FARC afirmam que entregarão os reféns a Chávez ou a quem ele designar, mas não precisam a data da libertação. A guerrilha também insiste que o governo desmilitarize uma região do país para fazer as negociações.
Clara Rojas, advogada, era a directora de campanha da franco-colombiana Ingrid Betancourt e escolheu ficar com a candidata à presidência quando os guerrilheiros a sequestraram. Ao longo destes quase seis anos, foram divulgadas apenas duas provas de vida. Em 2006, o jornalista colombiano Jorge Enrique Botero revelou que Clara tinha sido mãe e já este ano, depois de John Frank Pinchao ter fugido às FARC, ficou a saber-se o seu nome e idade.
Segundo o comunicado da guerrilha, as FARC dizem que a libertação destes reféns é uma forma de reparação a Chávez, a quem agradecem a sua “dedicação e esforço” e à senadora colombiana Piedad Córdoba. Ambos foram afastados da mediação para a troca humanitária de reféns por Bogotá, num “acto de barbárie diplomática”.
No documento de sete pontos, a guerrilha considera “improvisada e inaceitável” a proposta do Presidente colombiano Álvaro Uribe para uma zona de encontro para dialogar com o “mentiroso” comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, “em inóspitos, remotos e clandestinos lugares”. Em vez disso, reitera a necessidade de desmilitarizar duas áreas (Florida e Pradera) para tornar viável a troca humanitária entre reféns e guerrilheiros presos.
Em lágrimas, a mãe de Clara Rojas disse ao telejornal da RCN que lhe faltava “voz para expressar as ideias”. Por seu lado, a mãe de Ingrid Betancourt pediu às FARC para libertarem também a sua filha. As últimas imagens da franco-colombiana, reveladas o mês passado, mostram-na muito frágil. Yolanda Pulencio afirmou ainda que esta libertação é fruto do trabalho de Chávez.
O líder venezuelano revelou ter recebido também o comunicado e que estava informado da possível libertação de reféns. Por seu lado o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, ficou feliz com a notícia, mas aguarda a confirmação.
Com: DN, Agências, Estado de S.Paulo
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