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Irão nuclear? Nunca antes de 2009  Enviar por email Imprimir

Alexandre Soares

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A conclusão é de um relatório dos serviços secretos americanos, a National Intelligence Estimate (NIE), que afasta  a hipotese de um ataque iraniano em 2008. Para além do constrangimento que este relatorio causa à Casa Branca, ele altera o olhar do Mundo sobre Teerão.

Neste relatório os Serviços Secretos Americanos revêem a análise feita em 2005, ao afirmar que o Irão suspendeu a vertente militar do seu programa nuclear já em 2003.  Assim, mesmo que Teerão reabilite agora o seu programa militar, será “muito provavelmente incapaz” de produzir uma bomba nuclear até 2009.

O NIE reúne as análises de 16 serviços de informação, coordenados pela National Intelligence e contraria a análise alarmista de 2005, com base em “informações de qualidade superior”. Este relatório põe em causa as ideias em que se basearam a estratégia da Administração Bush para o Irão e poderá dificultar a aplicação de mais sanções a Teerão.

“O Irão era perigoso, o Irão é perigoso e será perigoso.”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manouchehr Mottaki, mostrou-se contente pelos Estados Unidos corrigirem “o seu ponto de vista”, mas o Presidente George W. Bush fez questão de reafirmar que continua a ver no Irão uma séria ameaça à paz mundial.

Acrescentando que “a melhor e mais eficaz diplomacia” é a que mantém “todas as opções em cima da mesa”, para George Bush a ameaça militar não está, portanto, excluida.  Em Outubro, conhecendo já este documento, Bush falou no risco de um “holocausto nuclear” e na urgência de “evitar a III Guerra Mundial”.

Para já, Bush apelou a um reforço da pressão internacional. O conselheiro da Segurança Nacional, Stephan Hadley, alertou para para o perigo das pessoas começarem a dizer “calma, o problema é menos grave do que pensávamos”.

A via das sanções continua aberta, mas Moscovo e Pequim têm agora argumentos que lhes permitem lutar para evitar uma nova resolução da ONU contra Teerão. No sábado, os “seis” - Alemanha, China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia - reunem-se para discutir novas formas de pressão sobre o Irão.

Em Israel, os jornais falavam em “choque” e em “surpresa”. O primeiro-ministro, Ehud Olmert, considera “necessário prosseguir os nossos esforços com os nossos amigos americanos para impedir que o Irão tenha acesso a armas não convencionais.”

Javier solana, representante da posição da União Europeia, reiterou a vontade de manter uma “dupla abordagem”, que combina uma atitude de permanente diálogo e de sanções da comunidade internacional.

Sobre o Irão nuclear…

O chefe do programa nuclear iraniano visita a Rússia
 
George Bush conversou por telefone com o Presidente russo, Vladimir Putin, que ontem recebeu o chefe do programa nuclear iraniano, Saeed Jalili. Durante esta conversa os idois interlocutores abordaram o programa nuclear iraniano, a situação no Médio Oriente e os resultados da conferência internacional de Annapolis.

Na quarta-feira o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou que o Irão pretende continuar a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica  e confirmou o respeito pelo Tratado de Não Difusão de Armas Nucleares.

“Nos tempos mais próximos, o Irão fechará todas as questões não esclarecidas com a AIEA”, disse Lavrov, acreditando, porém, que “o trabalho irá continuar”.

“Seria bom que os contactos a todos os níveis entre a Rússia e o Irão fossem intensificados”, concluiu Lavrov

Fontes: Público e Lusa


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