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Japão recua na caça às baleias-corcundas  Enviar por email Imprimir

Pedro Peixoto Alvares

Baleia-CorcundaO Japão concordou ontem (21) evitar massacrar baleias-corcundas (Megaptera novaeangliae) até, pelo menos, dois anos, respondendo da melhor forma aos pedidos da Austrália para poupar espécies em perigo de extinção, durante a sua expedição de caça a decorrer à Antártida, onde se espera que matem cerca de mil baleias-anãs.

Nobutaka Machimura, porta-voz do governo japonês, disse que a frota que se dirige, no momento, para o Oceano, a Sul, iria evitar matar as espécies protegidas. “O Japão decidiu não capturar baleias-corcundas nos próximos um ou dois anos, mas não haverá qualquer alteração na nossa posição quanto à pesquisa sobre baleias”, advertiu. “As relações do Japão com a Austrália podiam melhorar, mas isso depende da forma como eles vêem a nossa decisão”.

A alusão é feita à intenção nipónica de matar 50 baleias, decisão que provocou uma resposta agressiva por parte da Austrália. A população diminui, durante os anos 60, para apenas 1.200, mantendo-se, actualmente, entre 30.000 e 40.000, de acordo com a Sociedade Cetácea Americana. A espécie está registada como vulnerável pela União Mundial de Conservação.

O ministro dos negócios estrangeiros australiano, Stephen Smith, afirmour: “Enquanto que esta atitude é uma manobra de boas vindas, o governo australiano acredita piamente que não nenhuma justificação credível para a caça à baleia e irá dispor de todos os seus meios… para pôr um fim à caça da baleia pelo Japão.

Esta semana, o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, decidiu enviar um navio e um avião de reconhecimento, em breve seguidos de dois navios da Greenpeace e Sea Shepperd, ambas organizações ecologistas, em busca da frota japonesa, contando com a possibilidade de prosseguir a um embate judicial contra a caça junto ao tribunal internacional de justiça, em Haia.

Afecto à situação, o ministro dos negócios estrangeiros, Masahiko Komura, considerou difícil sarar um rompimento com a Austrália, um aliado militar e parceiro económico. “Dado ser um problema de diferenças de sentimento nacional entre as culturas japonesas e australianas, não é um assunto passível de ser resolvido através de apelos ao uso da lógica por ambas as partes”, afirmou. “Espero poder vir a discutir, em breve, medidas possíveis de resolução com o ministro dos negócios estrangeiros australiano”.

A partir de um navio da Greenpeace, o “Esperanza”, o porta-voz, dave Walsh, disse: “Estamos, obviamente, satisfeitos com o sucedido, mas não cremos que deva ser excluído qualquer tipo de baleia. Gostaríamos de ver um fim a todo o tipo de caça… O Japão irá matar ainda cerca de 1000 baleias até ao fim da época”.

Ainda que banindo o comércio de baleias, a Comissão Baleeira Internacional permite ao Japão matar para fins de pesquisa científica. Porém, os críticos apontam para o facto de a caça “científica” servir de disfarce para o comércio, já que a carne é vendida e o lucro reverte a favor de novas expedições.

Fontes: The Guardian, Público.

Imagem: CBI.


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