Putin não responde às críticas de ilegalidades eleitoriais
Susana Paula

Todas as críticas lançadas pelo Ocidente e as denúncias dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral das legislativas russas de Domingo (2) parecem não ter chegado ao Kremlin.
A reacção do Presidente russo, Vladimir Putin foi simples: nem um comentário. Putin preferiu saborear docemente “um sucesso indubitável, uma vitória” alcançada nas urnas - 64,1 por cento dos votos no Rússia Unida, cuja lista Putin decidiu encabeçar.
Perante estes resultados - que dão ao Rússia Unida uma maioria na Duma (câmara baixa do Parlamento) -, muitos foram os alertas disparados contra o Kremlin.
As alegações de fraude eleitoral e falta de transparência - com contínuos testemunhos desde casos de eleitores pagos e militares forçados a votar - fizeram gritar os Estados Unidos e na Europa, com muitos líderes a exigirem investigações sérias sobre os alegados abusos.
As palavras mais duras vieram da Alemanha: “Não há dúvidas. Pelos nossos padrões, [as eleições] não foram nem livres nem justas nem democráticas”, declarou o porta-voz do Governo alemão.
O porta-voz aludiu também à forma como o Kremlin controlou a seu favor a cobertura mediática da campanha e o uso dos recursos de Estado para garantir uma elevada participação nas eleições - que foi de 63 por cento - e uma expressiva vitória de Putin à cabeça do Rússia Unida.
A toda esta vaga de críticas juntou-se a avaliação negativa do chefe da missão de observação da assembleia parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) - a única delegação, de 30 observadores, que a principal agência europeia de monitorização de eleições conseguiu fazer chegar a Moscovo. No total, não houve mais do que 80 observadores para as 96 mil assembleias de voto, a que foram chamados quase 109 milhões de elei-tores por toda a Rússia. “[O sufrágio] não cumpriu uma série de critérios da OSCE e do Conselho da Europa”, declarou Goran Lennmarker.
Comissão Eleitoral Central russa não assinala falhas
“Não houve quaisquer violações, nem as podia haver”, assegurou o presidente desta agência, Vladimir Tchurov, antigo colega de escola de Putin, nomeado para o cargo em Março passado. E quanto às queixas da oposição russa, as denúncias dos observadores e as críticas dos líderes ocidentais: “Vieram de uma ordem política, dita-da do outro lado do oceano”, avaliou para a Interfax um dos membros da comissão, Igor Borissov, aludindo implicitamente a Washington.
Putin descreveu a victória eleitoral como “um bom exemplo da estabilidade da política nacional” e agradeceu aos eleitores o resultado das votos. “Este sentimento de responsabilidade dos nossos cidadãos é o indicador mais importante de que o nosso país está a tornar-se mais forte, não só economica e socialmente, mas também politicamente”, concluiu o presidente russo.
Grupo de monotorização russo relata violações
O grupo russo de monotorização independente, Golos, já havia reportado várias violações durante as eleições. Alegadamente, em alguns casos os funcionários do estado e estudantes foram perssuadidos a votar favoravalmente ao partido Rússia Unida, e esses votos pelo partido de Putin foram introduzidos num prémio de lotaria em São Petersburgo.

Na Chechnya, região problemática liderada pelo presidente pró-Kremlin Ramzan Kadyrov, os oficiais eleitorais afirmaram que uma contagem parcial demonstrava que o partido Rússia Unida havia ganho mais de 99% dos votes numa participação de 99% dos eleitores.
O líder partidário de Rússia Unida, Boris Gryzlov, teve conhecimento de que, de facto, existiram violações eleitorais, mas dispensou-as e considerou-as insignificantes.
“As eleições foram as mais injustas e sujas de toda a história da Rússia moderna”, afirmou Garry Kasparov, activista da oposição.
Veja um video da REUTERS sobre o caso aqui.
Com: agências, BBC, Público.
Artigos relacionados:


