Política: \"Sócrates ataca tudo e todos, o que é sinal de fim de ciclo\" - Luís Filipe Menezes          I          Sócrates rejeita \"lições de esquerda\" e diz que nenhum Governo deixou tantas marcas nas políticas sociais          I          Marrocos: Seis imigrantes expulsos de Portugal continuam detidos, ONG´s vão concentrar-se junto à prisão          I          Automobilismo: Monte Carlo - Loeb soma 37ª vitória no Mundial de ralis          I          Grande Porto: Universidade reúne 100 figuras para repensar desenvolvimento da região          I          Política: \"Sócrates ataca tudo e todos, o que é sinal de fim de ciclo\" - Luís Filipe Menezes          I          Sócrates rejeita \"lições de esquerda\" e diz que nenhum Governo deixou tantas marcas nas políticas sociais          I          Marrocos: Seis imigrantes expulsos de Portugal continuam detidos, ONG´s vão concentrar-se junto à prisão          I          Automobilismo: Monte Carlo - Loeb soma 37ª vitória no Mundial de ralis          I          Grande Porto: Universidade reúne 100 figuras para repensar desenvolvimento da região          I         

Rússia suspende tratado de armas do tempo da guerra-fria  Enviar por email Imprimir

Pedro Peixoto Alvares

Vladimir Putin

Assinado em 1990, actualizado em 1999, rectificado pela Rússia em 2004 (sem aprovação dos estados participantes) e suspenso em 2007, no dia 30 de Novembro. Esta é a breve história do tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE), que mantinha o movimento e a estabilização de tanques e equipamento militar dentro do território russo em baixos níveis, sobretudo junto à sua fronteira com estados vizinhos. Assinado entre o então presidente russo Mikhail Gorbatchev, 22 países da NATO e os pertencentes ao pacto de Varsóvia, em 1990, teve como propósito o controlo das armas movimentadas dentro da Rússia, limitando o número de tanques de batalha, artilharia pesada, aviões de combate e helicópteros de ataque.

A sua área de acção era toda a região compreendida entre o norte da Sibéria e o Atlântico até aos montes urais a Este e a fronteira com o Kazaquistão e o mar Cáspio a Sul. Desde a sua assinatura e posterior revisão, em 1999, na Turquia, que tem permitido uma crescente intimidade entre as forças da NATO e a Europa de Leste, intimidade que tem vindo a ser ameaçada agora, segundo o presidente russo, pela própria Europa e Estados Unidos.

No seguimento de semanas carregando um discurso de agressividade e suspeita em relação à postura europeia e americana nas suas relações com a Rússia, acalentada pela questão da construção de um sistema anti-mísseis que viria a desestabilizar a área, Putin assinou uma lei passada pelo parlamento que vem suspender o tratado. Os efeitos imediatos, para além de uma deterioração da confiança entre os estados participantes, são o bloqueio às visitas dos inspectores da NATO aos locais de armazenamento de material militar russos e a concessão, uma auto-imposta liberdade, para o movimento livre e ilimitado de armas dentro do território russo, a fazer efeito a partir de dia 12 de Dezembro.

A reacção de desapontamento norte-americana não se fez esperar. Numa conferência internacional sobre segurança, a tomar lugar em Madrid, Nicholas Burnos, Embaixador dos EUA na Organização da NATO, afirmou: “Isto [a suspensão] é um erro. É a Rússia, unilateralmente, a abandonar um dos mais importantes regimes de controlo de armas dos últimos 20 anos”.

A caminho das eleições

Esta postura desafiadora, num Putin ávido por marcar uma posição forte dentro da Europa, está a ser apontada como uma preparação do eleitorado para as eleições parlamentares e presidenciais, a acontecerem dia 2 de Dezembro e dia 9 de Março respectivamente. Segundo os analistas, a ideia de uma Rússia forte, independente e poderosa no seio das relações com a Europa e os Estados Unidos parece cativar a opinião pública.

O Rússia Unida, partido liderado pelo actual presidente, é visto como o mais bem posicionado para vencer as eleições da próxima semana. Impedido, pelo número limite de mandatos, a ser reeleito presidente, muitos crêem que Putin não desista, porém, do poder, logrando de uma manobra política que passe pela sua eleição para primeiro-ministro, votado pelo partido que lidera, impulsionado pela sua boa reputação junto de cerca de 70% dos russos. Como prova de tal atitude despótica estão os atrasos na concessão de visas aos inspectores enviados para a monitorização das eleições, pertencentes à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, ao ponto de estes terem desistido da sua ida à Rússia. Perante a acusação americana de estar a impedir a actividade legal da organização, Putin acusou Washington de se estar a intrometer em assuntos privados, procurando, mediante a mesma, desacreditar o resultado possível das eleições russas.

No término do mandato da presidência de Putin, a Rússia parece estar a afastar-se das originais intenções que suportaram a assinatura do tratado CFE, em que, depois dos dias negros da guerra-fria, uma nova era nas relações diplomáticas com a Europa parecia despoletar.

Fontes: Reuters, Público.


Artigos relacionados: