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Mitt Romney vence primárias no Michigan  Enviar por email Imprimir

Susana Paula

Mitt Romney

A eleição primária no estado do Michigan foi vencida pelos Republicanos, mais precisamente por Mitt Romney, o antigo governador do estado do Massachusetts, que ainda procura um resultado convincente para se afirmar como um candidato presidenciável.
Romney terminou na segunda posição nos caucus do Iowa e nas primárias do New Hampshire - a sua vitória nos caucus do Wyoming é praticamente irrelevante para as contas finais dos delegados de cada candidato na convenção nacional que elege o candidato do partido.

Nascido e criado no Michigan, Mitt Romney perdeu a vantagem que levava naquele estado. Nos últimos dias, apareceu junto da sua antiga professora primária, dos seus colegas de escola ou nos lugares que costumava frequentar com o seu pai, que foi governador do Michigan entre 1963 e 69 - e essa proximidade parece estar a cair bem junto dos eleitores.

Os números das últimas sondagens apontam, porém, para mais uma decepção na campanha de Romney. O favoritismo está, agora, do lado do senador do Arizona John McCain, cuja campanha está num crescendo desde a vitória nas primárias do New Hampshire. McCain conquistou o Michigan no ano 2000, e foi considerado mais “elegível” do que Romney.

Corrida a três

Mas a corrida é a três: Mike Huckabee, o ex-governador do Arkansas, que há três semanas estava praticamente invisível no radar dos eleitores do Michigan, tem “convertido” muitos com a sua mensagem de populismo económico, assente na sua proposta de reformulação do sistema fiscal com um único imposto sobre o consumo, a que chama Fair Tax. Huckabee beneficia ainda de haver uma significativa percentagem da população que se declara “socialmente conservadora” - não são necessariamente evangélicos, mas opõem-se ao aborto, ao casamento gay ou à investigação de células estaminais.

No lado dos democratas, os boletins de voto terão apenas o nome de Hillary Clinton. Os restantes concorrentes desistiram depois do comité do partido ter recusado a participação dos 156 delegados do Michigan na convenção nacional, em retaliação pela mudança do calendário das primárias. As campanhas de Barack Obama e John Edwards fizeram, contudo, um apelo aos eleitores: participem na primária como “não-declarados”, para que os vossos votos não sejam desperdiçados (i.e., não sejam atribuídos a Clinton, que pode assim ter uma minoria de votos).

O mais interessante nesta estratégia é que a balança pode pender para o lado de um republicano. Tal como no New Hampshire, as primárias do Michigan são abertas, o que significa que para votar basta que os eleitores se tenham previamente registado: a escolha pelo boletim republicano ou democrata é feita na secção de voto. Foi o que aconteceu em 2000, quando os sindicatos apelaram ao voto em John McCain. Nesse ano, 18 por cento dos que votaram na primária republicana eram democratas.

Economia, economia…

Com uma taxa de desemprego de 7,4 por cento, não surpreende que a palavra mais usada nos últimos dias de campanha tenha sido “trabalho”. A economia do Michigan sofreu um rude golpe com o declínio das grandes construtoras americanas - entre Novembro de 2006 e Novembro de 2007, perderam-se 76 mil empregos; serão já mais de 250 mil nos últimos cinco anos, só por causa dos cortes na Ford, General Motors e Chrysler. Segundo as estatísticas, o Michigan é o estado que mais tem sofrido com a crise do mercado de subprime, encabeçando a lista dos lugares com maior taxa de execuções de hipotecas.

Esta difícil situação económica está a conduzir a uma quebra populacional. Com dez milhões de habitantes, o Michigan é o oitavo estado mais populoso da América - e o que tem a maior comunidade árabe de todo o país -, mas nos últimos seis anos exibiu um crescimento de apenas 1,6 por cento, enquanto a média do resto do país é de 6,4 por cento. Como resumiu o presidente do Partido Republicano no Michigan, Ron Anuzis, “o Michigan, único estado do país oficialmente em recessão, enfrenta desafios económicos únicos e que necessitam da atenção urgente do próximo Presidente dos Estados Unidos”.

Com: Público, Lusa, Diário Digital.


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