Falta de massificação e de democratização no ensino superior
Ana Sofia Covas

João Teixeira Lopes, deputado do Bloco de Esquerda e sociólogo, esteve no passado Sábado na Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde participou numa conversa subordinada ao tema “Escola-empresa em tempos de amorfismo?”. Esta incluiu-se num ciclo de várias conversas decorridas entra Sábado e Domingo, organizadas pelo M.A.T.A. (Movimento Anti-Tradição Académica) e onde participaram vários outros movimentos estudantis. Não faltaram a troca de opiniões nem o sentido de humor, mas, sobretudo, esteve presente uma grande vontade de mudar a situação do ensino superior actual. As ideias apresentadas foram várias, quer por parte do político, quer por parte dos estudantes presentes.
João Teixeira Lopes centrou-se em vários temas, entre eles a massificação e democratização do ensino superior. Na opinião deste, “não há massificação e a democratização foi mal feita: deu-se uma empresarialização das universidades, que são ‘retiradas’ dos alunos com a conivência das Associações de Estudantes (AE’s), que hoje em dia se reduzem às praxes e pouco mais”. Quanto às AE’s, outras ideias foram lançadas quer pelo sociólogo quer pelos estudantes presentes: que “muitas são de direita, mesmo sem terem consciência disso”, ou que as AE’s deviam ser vistas e funcionar “como sindicatos de estudantes”, sendo que “poucas ou nenhumas conseguiram até agora entrar neste papel e desempenhá-lo”.
Um outro tema bastante abordado por Teixeira Lopes foi o processo de Bolonha, que “não é indissociável de um conceito neo-conservador”, e que “tem como objectivo único a empregabilidade, tornando-se o ensino numa mera questão económica e estandardizada”. E Teixeira Lopes não ficou por aqui, acusando ainda os governantes: “Está previsto desinvestimento no ensino superior, por contraste ao ‘choque tecnológico’. Isto significa que as universidades terão que angariar receitas por si próprias, tornando-se as faculdades em máquinas de atracção de alunos, com campanhas mais ou menos violentas de marketing”.
Outras ideias foram ainda deixadas no ar. Quanto à ocupação simbólica dos espaços das faculdades por parte dos alunos, João Teixeira Lopes disse que, quando esta deixar de existir, “os alunos serão todos operários rotineiros de uma empresa com vista à produtividade”. Já quanto ao ensino, o deputado deixou um ponto de reflexão: “Porque é que se prefere muitas vezes contratar pessoas com o 9.º ano e não com o 12.º? Isto leva as pessoas a desinvestir no ensino secundário e ainda mais no ensino superior!”
Da parte dos alunos, várias foram as vozes que se fizeram ouvir, entre elas a de Tiago Gillot (“O movimento estudantil está em perda”) e a de Ricardo Moreira (“As tunas têm o apoio das faculdades, mas qualquer outro projecto de música dos estudantes não é apoiado pelas instituições”).
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