Médicos ignoram os sintomas físicos das depressões
Ana Sofia Covas

Para além dos problemas ditos psicológicos, há também sintomas físicos associados às depressões. Estes, apesar de igualmente importantes, tendem a ser desvalorizados ou até ignorados pelos médicos. O não tratamento dos sintomas físicos aumenta o risco de recaídas, e, por outro lado, os doentes que são tratados em ambas as vertentes – psicológica e física – tem muito maior probabilidade de ultrapassar a depressão definitivamente. Estas conclusões fazem parte de um estudo cujo principal objectivo foi analisar o nível de conhecimento dos médicos portugueses no que respeita à depressão.
Segundo o referido estudo, os médicos de clínica geral e até boa parte dos psiquiatras não identificam na totalidade os sintomas físicos que, frequentemente, surgem ligados às depressões. Isto pode influenciar negativamente o tratamento desta doença. Mas se por vezes são os médicos que desvalorizam os sintomas físicos, noutras situações são os próprios pacientes que não os associam à depressão, acabando por não os referir ao médico.
Os resultados deste estudo, para o qual foram questionados 250 médicos, mostram que uma média de 22,8% dos doentes com outras patologias sofre também de depressão, sendo que esta prevalece entre os 30 e os 50 anos, o que representa 43,5% do total dos doentes. 69% do universo estudado era composto por mulheres, entre as quais 73,1% sofriam de depressão com ansiedade e 55,7% sofriam de sintomas físicos.
Já do total dos médicos questionados, 58,4% dizem que os sintomas físicos são utilizados no diagnóstico da depressão, mas apenas 10% referem a dor. No entanto, o sintoma mais recorrente para diagnosticar a depressão não deixa de ser a tristeza (76,4%).
Saliente-se ainda que 83,2% dos clínicos pensam que, ao tratar os sintomas emocionais da depressão, estão automaticamente a tratar os sintomas físicos da doença.
Fontes: Público, Jornal Digital, Fábrica de Conteúdos
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